segunda-feira, 10 de abril de 2017

Filipinas 101

Contrariada voltei. Voltei de umas férias memoráveis que açambarcaram um mundo em duas semanas e meia. As Filipinas são uma viagem mágica para os amantes da natureza e apaixonados pela aventura. Devido à impossibilidade de falar mal desta experiência ou refilar de qualquer dos seus aspectos, farei um “pequeno” relato da viagem para os aventureiros que queiram fazer esta viagem em breve.

As Filipinas são um arquipélago com 7641 ilhas. Como podem imaginar decidir quais visitar não é um trabalho fácil. O nosso objectivo era em 17 dias conseguir ver o que considerávamos fundamental neste país. Esta decisão levou-nos à loucura de conhecer um total de 5 ilhas e 9 cidades, de mochila às costas e com um sorriso estampado na cara. A realidade é que não se sentiu o cansaço pois cada localização proporcionava algo de incrível e foi sensato termos começado numa ilha cujo objectivo era desfrutar de praia e terminado em noutra.

O importante a reter é que são ilhas agora a ser exploradas por turistas, então será de esperar que as maravilhas vistas agora estarão destruídas em menos de 5 anos. Mas a quem possa ir, aproveitem! Comam todas as mangas do mundo (bebi uma média de 2 batidos de manga por dia), comam todo o peixe que possam e desfrutem da simpatia sem fim dos locais.


O nosso percurso foi:

- Voo Sevilla – Madrid – Dubai – Manila (a ausência de ligações com o aeroporto de Sevilha são um  motivo de rejubilação)
- Voo Manila – Boracay
- Voo Boracay – Cebu City (onde apanhámos barco para Bohol)
- Barco Bohol – Siquijor
- Barco Siquijor – Apo Island – Siquijor (Passeio de dia completo)
- Barco Siquijor – Dumaguete – Santander (triciclo para Oslob)
- Autocarro Oslob – Moalboal
- Autocarro Moalboal – Cebu City
- Voo Cebu City – Puerto Princesa (autocarro para El Nido)
- Autocarro El Nido – Puerto Princesa (avião para Manila e regresso a casa)

Muito resumidamente andámos de barco, triciclo, autocarro, mota, carro, avião…e tudo o que tínhamos direito. São muitas horas de viagem, mas quando bem programado encaixam bem na aventura.



Os destinos:

Manila (1 noite) – Ficar o estritamente necessário para conexões de voos, não encarar como um sitio a visitar, fazer fotos e comprar postais, pois não o é. Nós ficámos perto do aeroporto pois o tráfego é fora do normal. Na eventualidade de ter que apanhar um táxi, não apanhar os que estão à porta do aeroporto, são para turistas (a mim não me aldrabam, passo por local). Caminhar para o lado direito à saída do aeroporto onde há os táxis dos locais, que colocam o parquímetro e até ao centro da cidade serão como 5 euros. (Nota: Nunca entrar num táxi sem negociar o preço e obrigar sempre que ponham o taxímetro)

Boracay (2 dias) – Ganhou inúmeros prémios de melhor praia do mundo, por a sua white beach. Fomos por descargo de consciência para fazer a nossa avaliação e a realidade é que não nos pareceu a melhor praia sequer da viagem. Ilha agradável, melhores batidos de fruta do mundo no Jony’s, mas ilha devorada por turistas e praia cheia de vendedores de actividades e selfie sticks (não são insistentes, mas são tantos que levam qualquer um à loucura). Boa para sair à noite e ter um feeling mais ocidental, mas não representa correctamente as Filipinas.


Bohol (2dias) – Bohol foi uma experiência fantástica. Fomos para ver as Chocolate Hills e os Tarsiers (primatas mais pequenos do mundo). O truque nesta ilha é alugar uma scotter (nunca tínhamos conduzido uma e estamos vivos, as estradas não têm ninguém para além de outros turistas) e explorar a ilha. Descarregámos a versão offline do google maps e fomos à aventura. A natureza é imperdível, mas o que nos conquistou foram as pessoas do interior da ilha que nos receberam com um entusiasmo fora do normal. Não me importava ter ficado mais um par de dias.



Siquijor (2 dias) – Uma ilha que só tem casas na orla e há uma dúzia, quanto muito, de sítios onde ficar. Foi o nosso melhor hotel (pelo preço de uma saca de batatas na Europa) e a praia tem a água mais quente onde metemos o pé durante a viagem. Fomos a esta ilha pela proximidade com Apo Island e acabámos por ficar bastante felizes com a decisão. Diz-se que a magia negra nasceu nesta ilha e as almas de todos os que aí morrem habitam dentro de uma árvore incrível que têm no centro da ilha.


Apo Island (Meio dia) – Apo Island é conhecida pelas tartarugas gigantes. Fomos de barco e regressámos no mesmo dia a Siquijor, pois é uma ilha muito pequena, com poucos serviços e acessos. Tivemos a oportunidade de nadar com estas tartarugas acompanhados de um guia extraordinário com uma paciência sacra à minha aselhice com barbatanas, que se certificava que os corais e as tartarugas não sofriam nenhum tipo de trauma por ver-me nadar.


Oslob (1 dia e meio) – Oslob é conhecido pelo centro de tubarões-baleia, peixinhos amorosos de 6 metros, a um metro de distância. Por muito que nos mentalizemos para esta experiência, nada nos prepara para estar ao lado de um animal daquelas dimensões. O melhor é ir quando abre o centro, às 6 da manhã e se não são nadadores excelentes o mais sensato é usar o colete salva vidas pois têm muito má visão e são atraídos pelas borbulhas que fazemos ao bater os pés debaixo de agua. Igualmente nesta zona podem ir às cataratas de Tumalog, incríveis e sem grupos de turistas ou multidões. Em Oslob há poucos restaurantes ocidentais, o melhor jantar podem ter no mercado municipal à noite, pois o peixe e frutas não vendidos durante o dia são grelhados e transformados em batidos durante a noite. São só locais aí a jantar e os preços muito muito baratos (foi das melhores refeições que tivemos durante toda a viagem).



Moalboal (1 dia e meio) – Moalboal é conhecido como o sitio da Sardine Run (pode-se nadar entre números incríveis de sardinhas, é como estar em casa). Vila pequena mas cuidada, com imensos sítios agradáveis e bons restaurantes. Ficámos nesta zona, mas na realidade o nosso interesse era em Badian, onde estão as famosas Kawasan Falls. Decidimos fazer algo chamado Canyonering, que é basicamente saltar de canyons e cascatas incríveis, descendo toda uma montanha, até chegar a Kawasan Falls. Foi uma experiência incrível! Adrenalina, vistas maravilhosas sem turistas à volta, macacos e natureza no seu estado mais puro. As Kawasan Falls por si só, são lindas, mas têm demasiados turistas, o que tira um pouco o encanto do cenário paradisíaco.


Cebu City (1 noite) – Tal como Manila, não fiquem em Cebu City a nível turístico. Tráfego e confusão são as palavras de ordem.

Palawan (4 dias) – Palawan é uma ilha incrível. Ir às Filipinas e ignorar esta ilha é o erro mais crasso que se pode cometer. Nós aterrámos em Puerto Princesa pois os voos são bastante mais baratos que para el Nido e fomos de carrinha até ao nosso destino (5 horas a rezar pela sobrevivência). Puerto Princesa é um sitio de passagem, visitámos no intervalo um par de sítios pela piada (Bakers Hill é um parque de entrada gratuita que é o regurgitar de tudo o que o seu dono gosta colocado num só sitio de maneira muito saloia…mas dá para umas gargalhadas enquanto se faz tempo para o próximo voo). O nosso destino era El Nido. Zona com as melhores praias da viagem, sem comparação alguma. Perfeito para relaxar, comer e beber bem. A nossa paixão foi a praia Marimegmeg, que tem um bar com o mesmo nome onde nos mimaram um dia inteiro. Há também a praia de Nacpan (é preciso ir de mota, mas o caminho é bastante irregular) e para quem fique mais tempo a visita a Coron é fundamental.




Sevilha (o resto do ano que me lixo) – Bom para passear santas de um lado para o outro e comer tapas.

Preços:

- O voo longo da Europa para as Filipinas será o mais caro, mas com 3 ou 4 meses de antecedência conseguem por 400 euros ou menos ida e volta.

- Triciclos é um meio de transporte comum nas ilhas, pois não há estradas para táxis, nem autocarros. O preço é negociável, em média conseguem uma viagem de 45 minutos por 200 pesos, que são 4 euros.

- Táxis, comuns nas cidades grandes, são ainda mais baratos que triciclos, mas têm que garantir que o taxista põe o taxímetro, senão cobra o que quer no final da viagem.

- Autocarros locais em ilhas como Cebu (ilha bastante grande), são muito baratos, pagámos por uma viagem nocturna de 5 horas, num autocarro com ar condicionado e com filmes toda a viagem, pouco mais de 4 euros.

- Ligação entre as ilhas principais é melhor fazer de avião, muito mais rápido e poupam dores de cabeça, pois os barcos não são meios muito seguros em geral. Para pequenas travessias (media de 4 horas), há barcos entre os 200 e os 1000 pesos, 4 e os 20 euros, dependendo das ilhas. Eu cá dormi em todos os trajectos como se não houvesse um amanhã.

- Comida – Em sítios locais é extremamente barata. Têm pastelarias incríveis por todo o lado e a sua comida é algo doce mas bastante boa. Comer em hotéis é ser roubado à mão armada, não se justifica quando podem ir a restaurantes de pescadores com o peixe mais fresco e compram um peixe gigante por 3 euros com arroz, salada e bebida.

- Alojamento – Marcar com antecedência online pode poupar algumas dores de cabeça. Não contem com internet em todas as ilhas, para marcar à ultima hora, pois muitas ilhas funcionam com geradores, por isso podem imaginar.


Obrigatório para esta viagem:

Toalha de microfibra, sapatos aquáticos e máscara de mergulho própria (este ultimo não é obrigatório mas poupa-vos dinheiro pois são sempre um custo extra onde quer que seja, não estão estragados e não foram utilizados por centenas de pessoas antes de vocês).

Espero ter ajudado alguém que planeie fazer esta viagem. Para qualquer duvida igualmente podem escrever comentários que eu ajudo no que puder, que se me esticasse mais quem segue aqui o estaminé desistia de mim de vez.


Um bem haja!

[O próximo post já volta a má língua e falta de chá habitual que a paz e amor das férias já foram pelo cano abaixo]

sábado, 11 de março de 2017

Glamour a Bordo

O conforto irrefutável de um atendimento serviçal, enquanto sentados num banco de estofos suaves, em boa companhia e vista divina. Viajar de avião em classe económica é tudo isto, mas sem o glamour. Sentados numa cadeira voadora com cinto de segurança, com hospedeiras que não dormem à três dias e cujos benefícios laborais são algo dúbios, sentados lado a lado com um senhor que notoriamente não teve o prazer de ser apresentado a nenhuma marca de desodorizante e, com sorte, ter a vista sobre a asa direita que oculta toda a beleza do céu. Para quê o champanhe e frutos tropicais servidos na primeira classe? É correto que no Titanic os pobres morreram todos, mas neste caso se cai, caem todos juntos (que isto não é o Lost).

Viagens longas de avião são sempre algo interessantes para a corrente sanguínea. Podemos contar com a senhora de calças de fato de treino que não passa quinze minutos sem se levantar para esticar as pernas. Queiramos nós, ou não, colaborar com este exercício, ela seguirá a sua rotina, mesmo que tenha que nos passar por cima. Conhecendo o caso, pensamos então pedir o lugar à janela, pois assim ninguém nos chateia. Até que passamos pelas brasas e acordamos com o pé do passageiro de trás, a espreitar ao lado da nossa cara, mesmo entre a janela e a parte superior do nosso banco. Como um senhor idoso sem nada por baixo da gabardina, aí está ele, pacifico à espera de contacto visual para o seu momento de glória. Surge então o incontrolável desejo de agradecer ao destino por não termos adormecido e, consequentemente, acordar com aquele dedo com fungos e unha cortada com tesoura de podar enfiado num olho.

Olhamos para o lado e o senhor que cheira a defunto encontrado na Stradivarius (sou só eu que tenho um ataque de asma quando entro numa loja com tanto perfume no ar?), corresponde a mirada por compaixão a toda a situação traumática vivida. Pensamos que esse foi o começo, apogeu e fim da relação entre os dois. Mas não. Começa assim todo um ritual de querer saber de nós e de nos oferecer amendoins que comprou por 7euros a bordo. Negamos, sorrimos simpaticamente, e tomamos a decisão importante entre fingir que dormimos e arriscar cegueira por unhaca alheia, ou ser presa ao aterrar por assassinar um velho mal cheiroso com um amendoim projectado contra a traqueia.

Decidimos ver um filme. Afinal, a senhora do banco da frente decidiu acordar e ter um pouco de compaixão, pondo o seu banco direito e deixando-me respirar no meu acento. Tantos filmes bons disponíveis, alguns ainda nem estrearam no cinema! Finalmente algo positivo deste trajecto. Carrego no play e a mesma senhora que havia tido compaixão faz 10 minutos agora decidiu que o seu escalpe se sentia mais desconfortável que eu, então vá de atirar com o seu longo cabelo para trás, tapando na totalidade o meu ecrã e sufocando a minha vontade de viver.

Respiras. Pensas. Já só faltam 10 horas. Tudo valerá a pena. Por isso pedes whisky até ficares inconsciente.

[Gente gira, vou estar 2 semanas fora do estaminé. A menina vai viajar =D. Até já]

quinta-feira, 9 de março de 2017

O País das Mil Caras

Vinte horas de voo, pernas trôpegas, mas um entusiasmo que eleva a adrenalina e não deixa que o cansaço se abata sobre nós. De mochila às costas com pouco mais que uns calções e algumas t-shirts, chegamos ao diminuto aeroporto de Siem Reap, Cambodja. Quinze cêntimos depois e estávamos montadas numa moto com um desconhecido que nos levava ao centro da cidade. Começava a aventura.

Olhávamos à volta e a pobreza estava patente, não era segredo e muito menos motivo para perder os sorrisos ou reduzir as saudações entusiasmadas por ver turistas. Passámos por inúmeros resorts de tamanho e riqueza transcendente, principalmente, tendo em consideração o seu entorno, mas nós dirigíamo-nos para o centro da acção. Não se pode vivenciar uma cultura sem ver a sua real face. “Atenção à comida de rua”, relembro e ignoro eu em cada viagem à Ásia. Agarramos um sumo feito por uma senhora descalça no alcatrão e vamos receber uma massagem, que aí é como ir comprar pão. Deitamo-nos no solo de madeira onde se ouviam pequenos gemidos de dor satisfatória. Agora sim podíamos dormir depois da viagem.

Pela noite a música pelas ruas é alta, muita alegria! Mas entre caras de adultos sorridentes há as de crianças com os seus dez anos a vender postais e pequenas lembranças, mas até eles dançam, são os reis da festa. A manhã seguinte começa cedo com longas jornadas de tuk tuk para visitar todos os templos fabulosos que se encontram na região. Dignos de filmes todos eles, fazem-nos sentir pequenos e agradecidos. O templo de Bayon foi dos que mais me impactou, os rostos sorridentes cravados na pedra diziam tanto deste povo. 

Uma das absolutas maravilhas do mundo é ir ver o nascer do sol a Angkor Wat. Entre monges budistas são dezenas as pessoas sentadas no chão à espera do momento em que o sol rasga o céu atrás do templo. É magnifico! Alguns arriscam fazer fotos com os monges, mas as mulheres não lhes devem dirigir uma mirada e palavras apenas de agradecimento. Acabamos a manhã a comer uma panqueca que mais parecia um bolo para dois, numa pequena barraquinha chamada Rambo 2, mesmo entre o Stallone e da Madonna 1. Um pote de mel e outro de leite condensado com uma colher longa dentro e uma banana cortada em rodelas é apresentada para que adornemos a nossa comida a gosto. Sentimo-nos ridiculamente em casa.

Visitamos aldeias flutuantes, orfanatos e mercados onde os frangos corriam alvoraçados por cima de peixe ainda semi-vivo. Senhoras acenavam com verduras, sentadas de pernas cruzadas encima das batatas que estão por vender. Tudo tinha o poder de nos deixar agradecidas por o que temos e felizes por vivenciar tal experiência.

Uma viagem que dava um livro.
[Há viagens das quais não se pode falar mal, nem com esforço, então mais vale partilhar e ponto final]

domingo, 5 de março de 2017

Cultura de Merda

“De Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos”, entoou a minha avó sussurrando, como apelo ao meu bom senso ao despedir-se de mim faz quase três anos, quando embarquei a bordo do voo que me trouxe para a terra dos caramelos baratos. Ri-me, trocista, como se isso alguma vez fosse suceder. Eu, moi-même, a sucumbir aos encantos de um ser aciganado, vendedor de caramelos, carregado de brilhantina no cabelo, sentado num carro a diesel barato e com uma mãe dançarina de flamenco, carregada de maquilhagem e uma flor do tamanho de um repolho na cabeça (se me faltou algum estereótipo peço desculpa, esforçar-me-ei mais para a próxima).

Arranjei então um namorado catalão. O que faz dele o pão de passas do território espanhol, não é bom para besuntar na molhanga de um bife, mas também não serve de sobremesa, é o “chove não molha” da metáfora padeira.

Há todo um processo de aprendizagem de ambas as partes para uma relação multicultural saudável. Eu ensino-o a comer pão com manteiga. Porque esborrachar um tomate no pão besuntado com azeite não conta como torradas, e caso eu esteja doente e alguém me apareça com pão com tomate na cama, vai passar a haver uma doente e um morto. Ensino-o que perante uma descomunal bebedeira se come caldo verde e pão com chouriço, não churros com chocolate, a menos que o objectivo seja regurgitar e, consequentemente, perder todo o investimento monetário implícito na compra de álcool. Faço palestras a ele e aos seus familiares em como não há um monopólio do negócio de toalhas em Portugal e constato que as mulheres portuguesas não têm todas bigodes (ter temos, mas vá…). Entre outros debates, como o domínio do bacalhau em território nacional.

Ele, por outro lado, ensina-me toda a sua cultura de merda. Não. Não estou a ofender a sua cultura, estou a constatar factos. Tudo começa com o seu Zé Povinho, que é uma personagem a arrear uma poia perfeita, intitula-se Caganer. Por toda Barcelona podem comprar desde uma Hello Kitty, ao Obama a defecar. Continuamos, pois, com uma das suas figuras natalícias presente, sem excepção, baixo a árvore de natal, é um Caga Tio. Resumidamente, é um pau com olhos e chapéu, ao qual se dá com outro pau (sem olhos) e se espera que o tronco cague chocolates para os petizes, ora coisa mais apetitosa nunca se viu. Aparte de tradições onde literalmente está presente a figura de uma poia, têm o equivalente ao nosso São Martinho, onde as crianças saltam a fogueira com as castanhas enquanto entoam musicas alegres. Eles têm um dia ao ano em que se vestem de doentes mentais, criam uma figura gigante de um louco e lhe ateiam fogo com gasolina. Só pensamentos positivos esta gente!

Gosto de imaginar que ensinamos às nossas crianças bons costumes, mas tenho que dar o braço a torcer que se me tivessem ensinado que se andasse à paulada recebia doces, que defecar é considerado arte e que caso me depare com alguém louco lhe posso atear fogo e resolver o problema, o meu trajecto de vida tinha sido consideravelmente mais fácil.