sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

That escalated quickly...

Leggins com padrão do mapa mundo que coloca a Tanzânia na nossa virilha, casacos verde seco que a cada 10 anos regressam ao centro da moda europeia e parecem ser impingidos como isqueiros de uma utilização por um ciganito no metro, pois todos têm um mesmo que não precisem. Moda. Dizem eles. Os pobretadas como moi não têm dessas modas dignas de rebanho. Para mim, moda é conseguir passar personalidade até através da roupa, ou se não tiver personalidade alguma, andar de pijama o dia todo com a cabeça erguida. Mas agora ser pega está na moda e há a hábito de confundir o mulherio todo como seguidor desta tendência.

Hoje em dia, com intermináveis aplicações para unir indivíduos para praticarem o coito sem haver o debate da manhã seguinte. Esta é uma moda para a qual, tal como os leggins, não tenho talento. Primeiro porque gosto de pequeno-almoço na cama e eu tinha que ser uma acrobata na cama para um caso de uma noite me fazer ovos mexidos, não que seja terrível a fazer amor mas sou mais digna de uma barrita de cereais atirada de outra divisão. Segundo porque vi demasiados filmes de terror e acho sempre que o fulano ou me iria assaltar a casa, ou me cortar às postas e deixar-me em caixas de sapatos. Terceiro, ouvi dizer que há umas doenças que nos fazem arder de zonas que nunca deveriam arder, criar erupções cutâneas onde nem elas queriam estar, ah e morrer. Ai que pudica que eu sou, há protecção e não há possibilidade absolutamente nenhuma que algo mal aconteça. Claro! Pois o Tinder é o melhor a avaliar o estado psicológico humano e Deus nos livre de ter que explicar 9 meses depois que o Joãozinho é filho do nosso indicador direito que foi quem deslizou para a direita.

Sou uma seca, é verdade. Dizem-me várias vezes quando a minha cara se contrai num esgar cada vez que um, “boa noite”, num bar evolui em segundos para um, “para tua casa ou na minha? Que divido com vinte marroquinos, um pastor alemão e possivelmente um sem abrigo?”. Antigamente ir com o primeiro que aparecia era uma profissão bem remunerada. Agora o amor-próprio é tão baixo que um gin e está o negocio fechado e as pernas proporcionalmente abertas.

Não sou de modas, ainda acredito que haverá uma instituição mental onde gente como eu permanece à espera de alguém com quem ver filmes, passear de mãos dadas e que queira ter a seu lado alguém a quem culpar por uma DST. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Palmada na Nalga

As Cinquenta Sombras de Grey, o livro que provocou clamídia a mulheres em todo o mundo devido ao tamanho realismo dos detalhes sórdidos em cada linha e por ser o mais próximo que muitas tiveram de levar umas pancadinhas amorosas não relacionadas com o Benfica perder na Luz, vai agora chegar ao grande ecrã. Com excepção das senhoras que têm toda a colecção Outono – Inverno de chicotes no armário, tratem de não visualizar este filme no cinema. Para quê bater no ceguinho se já leram o livro? É só enxovalhar o vosso psicológico com imagens sexuais que no máximo vão ser reproduzidas com o pacote de pipocas, o vosso homem já deve odiar o livro, ver a performance sexual do actor jeitosinho numa tela gigante só vos vai levar a não ter sorte no quarto por um mês.

Nada mais promissor que uma história de amor e palmadinhas na nalga. Se vos alegra de alguma maneira, todas nós somos altamente sadomasoquistas, simplesmente exploramos os nossos dotes a nível particular e não com um senhor rico e bem parecido, que trabalha em part time no Mestre Macro para manter o stock de fita adesiva e amarras lá em casa.

Pobres não são aqueles que após um acidente sofrem de amnésia (vá é chato…), somos nós que por tamanha estupidez que nos assiste nos auto induzimos longos períodos de amnésia, muitos deles associados a garrafas de Casal Garcia ou tensão pré menstrual, mas outros forçados desde manhã até que o sono ganhe. Após o fim de uma relação, insistimos em esquecer como a relação era apenas comparável com comer um bolo-rei em Março e convencemo-nos que podíamos ser felizes, ter trigémeos e não cometer homicídio antes dos 60 anos de idade. Nós gostamos, genuinamente, de sofrer. Vá que levar com uma palmada bem assente saiba melhor que ocupar o tempo a pensar nos filhos que não tivemos, na casa que não comprámos e na viagem que vamos fazer com o nosso gato que é o único que vai aturar a nossa paranóia e é só porque o alimentamos.


A realidade é que não há homens ricos a pingar fetiches suficientes para todas nós, uma pessoa tem que se safar com o que pode. Eu, pessoalmente, gosto de ofender as batatas fritas antes de as ingerir, dá luta, é tentador e elas ganham sempre. Como qualquer bom romance.