sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Parar é morrer

Aquele que passa uma vida sem viajar, nunca aprende a viver. Sempre tive um fascínio inexplicável pelo mundo e o que ele teria para me oferecer. Até hoje não sei qual é o meu sonho profissional, não sei “o que quero ser”, só sei que quero viajar e o trabalho que me proporcionar isso será o certo. Tendo em consideração que não uso notas de 100 como forro das calças, costumo usar as minhas poupanças para aproveitar o que as novas cidades têm para me oferecer, deixando para segundo plano a viagem e a acomodação.

Se a companhia aérea a fazer os melhores preços tiver uma frota composta de carrinhas de caixa aberta com asas, onde as hospedeiras são cabras do monte e há uma grande probabilidade do piloto estar em automático pois o humano responsável está inconsciente há três meses e ninguém deu por isso porque não lhe pagavam de qualquer maneira…perfeito! Não que tenha um desejo de morte prematura, são prioridades. Há companhias aéreas em que se paga muito mais para ter direito a uma sandes de salpicão com bolor, hospedeiras com interacção digna de uma cabra do monte e uma criança que tenta afinar o timbre durante 5 horas consecutivas.

O mesmo acontece com os Hostels. Lisboa tem ganho imensos prémios com o passar dos anos, graças a ser a cidade com os melhores Hostels do mundo. São verdadeiramente melhores que muitos hotéis. A realidade é que Lisboa é uma excepção e nem tudo são rosas. Não precisamos de ir ao extremo dos filmes de terror em que metade dos viajantes é morto à paulada por grupos de rufias com tramp stamps a condizer. O real filme de terror é adormecer num quarto compartido com 40 outros indivíduos. Há quem chame espaços semelhantes de prisão ou bunker. Nestes, a grande maioria sofre de flatulência, dois são sonâmbulos e um zulo mentecapto que não conhece o significado de desodorizante nos acorda com festinhas na face e a presença de um pombo morto na cama como prova de apreço e possível começo de relação matrimonial.

Se não gostam de ir ao ginásio pelos balneários, então esqueçam toda a experiência de um Hostel pois há uma grande probabilidade de encontrarem a miúda do The Ring presa no ralo da banheira. Tendo em consideração o preço que se paga por uma cama, se terminarmos a experiência sem herpes ou hepatite, é extremamente positivo.

O mundo das viagens foi feito para os económicos (vá, pobres) e para os ricos, os do meio-termo acabam por nunca aproveitar inteiramente, porque estão ocupados a seguir os roteiros turísticos estabelecidos pela agência. Os pobres até na casa dos locais comem se for o caso e os ricos conseguem voar a dormir, dormir nos melhores hotéis, dormir no Taj Mahal se lhes der na gana (ninguém diria que eu gosto de dormir, certo?). Viajar é algo que tem que ser vivido intensamente, quer seja numa carruagem sobrepovoada, com o sovaco de um polaco a servir de almofada, com um guia turístico chamado Fánã ou a babar champanhe num cadeirão de veludo a bordo de um jacto particular, o que conta é não parar. Parar é morrer!

11 comentários:

  1. Se pudesse andava sempre a viajar :)

    Beijinhos*

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  2. Tens razão, Parar é morrer, não obstante serem cada vez mais os que morrem em andamento, porque não sabem ou não podem parar a tempo.
    Sugiro uma tenda de campanha como recurso alternativo e, já agora, um GPS que te ajude a encontrar a pessoa e os lugares ideais para as viagens.

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  3. Trabalho para poder sustentar as minhas viagens! Não preciso de grandes luxos, mas um sítio limpo e uma casa de banho individual é fundamental, desde o memorável hostel em Praga onde para ir à casa de banho colectiva tinha de passar por um corredor com jovens animados por cervejas a tocar viola e a cantar "No woman, no cry" e afins! Hoje é cómico. Na altura foi medonho!
    Parar não é morrer, é ter palas nos olhos!

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  4. Ahaha gostei tanto, até porque me revejo. O pior hostel onde estive foi em londres mas tirando o cobertor estilo prisão dos malucos do riso e a dúvida se trocavam os lençóis quando o hóspede mudava, não era mau de todo (levei toalhas e chinelos claro). Ah e também apareceu um chinês na minha cama, mas pode ter sido culpa dele e não dos empregados do hostel. Aliás, agora que me lembro, na recepção ostentavam um quadro com um prémio qualquer dos hostels, o que me preocupa...

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  5. A verdade é pura e, por vezes, dura. Parar é a certeza de estagnar. E viajar é uma experiência sem igual. Quer fiques num Hostel de fim de rua, enviesado com um beco que dá para as traseiras de um armazém de conteúdo duvidoso, quer fiques no Hotel que perdeu a conta às estrelas. O que trazes dessa experiência é, certamente, mais e muito consistente.
    Parar é morrer, sim senhora. Votos de uma vida carregada de viagens e que nós possamos ler as vivências.

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  6. Morre lentamente quem não viaja,
    quem não lê, quem não ouve música,
    quem destrói o seu amor próprio,
    quem não se deixa ajudar.

    Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
    repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
    quem não muda as marcas no supermercado,
    não arrisca vestir uma cor nova,
    não conversa com quem não conhece.

    Morre lentamente quem evita uma paixão,
    quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is"
    a um turbilhão de emoções indomáveis,
    justamente as que resgatam brilho nos olhos,
    sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

    Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
    quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
    quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

    Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
    chuva incessante, desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
    não perguntando sobre um assunto que desconhece
    e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

    Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo
    exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.
    Estejamos vivos, então!
    Pablo Neruda

    Estou mais viva que nunca!!!! E tu Nadinhaaaaaaaaaaa??????????

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    1. Olhe dona uva...isto de vir praqui fazer comentários melhores que o post não tem jeito nenhum, bons velhos tempos aqueles em que as pessoas não liam os posts e escreviam...ah e tal gosto de alcachofras! Agora fora de brincadeiras....também estou mais viva que nunca...por vezes uma mudança muda toda uma vida ^^

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    2. Adoro viajar. Sp preferi abdicar se outras coisas p ter uns trocos p viajar. Tal como prefiro viajar em low cost e alugar um apartamento p n andar pagar refeições fora e hotéis caros, e assim viajar 2 ou 3 vezes num ano, do que ir p os sítios finos mas so meter o cu num avião qd o rei faz anos.

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  7. Adoro viajar, viajo conforme as minhas possibilidades. Queria mais e melhor mas isso só para alguns.
    Boas viagens... :)))

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  8. Preciso tanto viajar este ano


    tarasemanias.pt

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