segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Mundo Cruel

Cama feita, pequeno-almoço na mesa e a constatação que somos um talento nato para a vida de dondoca. A vida arrancou-me à força, enquanto bracejava e arranhava paredes em angustia, da minha casa da era pombalina que já pedia misericórdia que nem o Marquês teve que aguentar esta nação tantos anos. Empacotei os meus pertences sem data e destino marcado. Perante incongruências laborais colocaram-me num hotel onde irei sofrer para lá de um mês.

Pantufas branquinhas e colchão que parece um marshmallow, piscina e televisão do tamanho da minha prévia sala. Não sei como irei sobreviver sem ter que me preocupar com a limpeza da casa e lavagem de lençóis e toalhas. Estou pesarosa. Já para não falar do pequeno-almoço. É esgotante ter que descer as escadas para provar tipos de fiambre que julgo serem carne de unicórnio e usar cereais como confetti. Não desejo a ninguém.

Atenção, estou a trabalhar arduamente. Só ainda não me apercebi por estar demasiado ocupada a descobrir em que piso é o ginásio que nunca usarei mas que me vou convencer até ao último segundo que hoje é o dia. Quando paro e constato que quando chegar a altura de abandonar este poiso vou ser vagamente escravizada para pagar cada fatia de pão que aqui comi e cada de mão de tinta que vão ter que dar nas paredes por eu as ter abraçado até à exaustão para comprovar a sua veracidade, até me dói, mas depois ponho uma musica saloia, incomodo os restantes hospedes e o sentimento passa.

 

13 comentários:

  1. Vai aproveitando, depois logo se vê! Não é assim que fazem as dondocas?

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  2. Vida difícil, realmente ;) boa estadia **

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  3. Lol.....
    Caramba, quase que me enganaste!!!
    Pensei que estavas a viver/penar num living Hell. Nop...estas apenas a viver num baita living 5 star Hotel!
    Aproveita ao máximo pahhh!!! ;))))))))))))

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  4. Aproveita! Abraça as paredes a cama a tv a varanda, abraça tudo. Porque como dizes, vais penar bem para pagar esse tempo em que estás em férias forçadas :)))

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  5. Gil Vicente escreveria "Quem és tu romeira?" ao que alguém responderia "Dondoca"...
    A fatalidade da vida e o destino seduzem-nos com mimos e mais mimos e depois cobram-se caro, logo é inevitável que estejas nesta roda viva! Então que dizer? Nada, aproveita ao máximo as dondoquices, descobre ainda com mais prazer o que ainda não te deram ou não querem dar...atiça-os com ritmos que eles não entendem e depois...bem, depois há que trabalhar porque as dondocas nascem não se fazem!

    Beijinho*

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  6. Há vidas melhores, há... :) aproveita! e boa sorte na nova etapa.

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  7. R: Recebi dois comentários teus, sendo que o segundo foi o resumo e a parte dos QOTSA xD fui vê-los no ano passado, muito bom mesmo!

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  8. Nem dei pelo post. O blogger anda relapso. Provavelmente está afectado pela crise do velho e não percebe o que vai acontecer ao novo.
    Pela leitura, presumo que ainda não zarpou. Daí que nem me atreva a sugerir-lhe o conhecido expediente de deixar escorregar de mansinho, algumas vitualhas para o colo e depois, discretamente, metê-las na mala de mão.
    Se formos topados, pode parecer mal, mas ninguém vai preso. Quando muito temos de devolver os pãezinhos, as tostas integrais e também as compotas, os queijinhos, a manteiga etc.
    Salsichas e bacon fritos, bem como ovos quentes ou mexidos, não são recomendáveis, porque o que se poupa em euros (se for o caso) com a habilidade, vai logo para a lavandaria da esquina e, claro, é melhor mudar de hotel porque ficamos sob observação.
    Vá dando notícias.

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  9. Adorei o quadro que fizeste desse tremor que é habitar, seja pelo tempo que for, num hotel. Seja num quarto ou suite. As dondocas, que conheço algumas, haviam de ceder, de boa vontade, um ou outro pedaço do corpo. Bem sabemos, colocariam, logo de seguida, ainda em repouso na dita suite, um implante. Soluções há muitas. A tua, tão pertinente, prefiro. Assaltar a vizinhança com música tipicamente desarranjada. Continuação :)

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  10. Epá...quem me dera. :) Vai aproveitando, que a vida boa se calhar não dura sempre.
    beijinho

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  11. Vida de dondoca...vida (quase) santa...

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