sexta-feira, 11 de julho de 2014

Prostituição emocional

O Titanic em 1912 embateu contra um iceberg e afundou em alto mar, por entre os destroços um pedaço de madeira flutuava com uma jovem chamada Rose, que era demasiado espaçosa e preferia ter espaço para um napron, do que para dividir a sua porta flutuante com o amor da sua vida. Quando ocorre o fim de uma relação amorosa e damos por nós à deriva numa porta com napron, assim que alguém nos avista avisam toda a guarda costeira e dá-se o começo da prostituição emocional.

Uma mulher recentemente solteira deve produzir algum tipo feromonas, comparável ao cio, que se sente a distâncias absurdas e estupidifica o sexo oposto (e por vezes o mesmo). A título de combater a falta de amor-próprio típica do fim de uma relação onde já nem rapávamos as axilas para poupar o ecossistema dos nossos pertences, damos começo à, por mim intitulada, prostituição emocional. Somos cercadas por diversos homens interessados, do piropo brejeiro ao pedido de amor eterno, e sendo cedo de mais para começar uma nova relação, aceitamos discretamente as suas palavras que nos afagam o ego. Aceitamos clientes vários e o seu pagamento que nos sustenta o ego, mas não passa de um negócio emocional, está implícito que não haverá casamento. Não há cartões de crédito e muito menos cheques, tem que ser dinheiro físico, emoções regurgitadas em palavras já ouvidas e altamente sobrevalorizadas, nada de promessas futuras. Ocasionalmente, neste processo, deparamo-nos com homens cheios de potencial, mas que são um investimento de risco, pois é terminar uma carreira de sucesso que estabelecemos com as feromonas, em prol de mais uma possível desilusão.

O pijama bolorento e chinelos com sola descolada passam de roupa de lavar a caixa de areia do gato, a roupa de fazer parar o trânsito e choverem números de telefone. A ausência de higiene intima passa de problemática que lhe vai causar infecções, para base de um odor distinto e afrodisíaco (que lhe vai causar infecções na mesma). Toda a realidade das princesas da Disney em que até os pássaros cantavam e lavavam o chão parece plausível sem o efeito de drogas pesadas.

Eu confesso-me uma acompanhante de luxo nesta matéria, em que só aceito clientes com um certo carisma e carteira emocional mas, verdade seja dita, não posso fazer nada quanto aos piropos provenientes dos andaimes da vida a menos que lhes enfie um pé na boca. Porém, o ego não se apoquenta, precisa de mentiras que soem a mimos enquanto espera por um pardal que lhe lave a roupa.

7 comentários:

  1. Se os homens lançam piropos ou se tentam a sua sorte, não devemos afoguentá-los como se tivéssemos um distúrbio anti social e acabadas de sair do manicómio.. Até nos faz bem ao ego.. Agora se eles têm sorte, é uma decisão diferente

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  2. Adoro a tua forma de escrita e como te entendo, reitero tudo o que escreves. Todas passamos por isso... deve de ser qualquer coisa de "animálico".... rs

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  3. Sabe sempre bem que nos alimentem o ego. Com ou sem relacionamento, na verdade. Porque mesmo feliz com o meu namorado, não me incomoda quando estou com ele a dançar e noto que algum olhar me acompanha ainda que eu não lhe passe cartão. Incomoda sim ao meu namorado.. mas não é nada que não passe com o remédio certo :)

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  4. Mais um texto genial! :) (clap, clap, clap) Onde assino? :)))

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  5. Adoro sempre as tuas reflexões. Os elogios fazem bem ao ego, sabe bem ouvi-los, sobretudo em alturas em que estamos mais fragilizados

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  6. Sendo eu um caso raro a nível planetário, já que não vi filme “Titanic”, consigo todavia fazer uma extrapolação e entender a “imagem” da porta que flutua à deriva.
    Arrisco defender que quando o espaço está demasiado fragilizado, logo vulnerável, não é tempo de manter portas entreabertas.
    Não vou alongar-me, apesar de me apetecer divagar sobre o conteúdo das mensagens de Napoleão a Josefina.
    Nem sempre há lugar para grandes comentários.

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