segunda-feira, 16 de junho de 2014

Happy birthday

Vamos saudar a revista Happy por celebrar este mês o seu centésimo aniversário. Oito anos a criar postos de trabalho a psicólogas dependentes de alucinogénos que criam problemas que não existem com unicórnios anorécticos, editores daltónicos que julgam verde alface ser o tom ideal para plano de fundo de uma narrativa intensa e comentadores de moda que publicitam itens de lojas de luxo numa revista cujo poiso natural é na mesa da cabeleireira de bairro social ou sala de espera do ginecologista.

O conceito de felicidade da revista é algo que me cativa pelo seu cariz enigmático. A felicidade é algo que associo a sorrisos, amor e bolo de chocolate, porém os criadores desta revista associam a jovens subnutridas e carrancudas, que gostam de vestir roupas desapropriadas para a estação presente ou até para este planeta, que parecem ter sido tiradas à força da ala de apoio à depressão crónica, dando-lhes o lugar de destaque: a capa. A escolha por pessoas tão miseráveis e descontentes com a sua vida é tão plausível como um anúncio de luvas em que o modelo tem cotos. A revista tem um preço bastante apelativo, o que a torna uma compra viável na época das castanhas e nos quiosques das lotas. Uma vez por mês pode investir no sentimento de satisfação de não ser tão energúmeno como julgava ao passar os olhos pelas histórias sem fundamento da revista, por outro lado irá ser arrebatado pela desilusão de não ser brilhante o suficiente para ter usado essas míseras moedas em algo mais útil, como para colocar debaixo do pé daquela mesa que estava a abanar.

Esta maravilha literária mensal vai ilibar o seu pensamento das dúvidas que o atormentam no quotidiano. Nunca mais vai acordar em sobressalto com a dúvida se o azul petróleo saiu de moda, vai aprender que pode perder cinco quilos se trinchar o seu braço fora e esclarecerá todas as questões patentes na problemática de fazer uma orgia vendada, equilibrada no topo de uma palmeira com toda a equipa de hóquei de Santa Comba Dão. São anos a melhorar o seu conteúdo e a aumentar as páginas de publicidade, possibilitando a bênção de em cem páginas só quatro terem letras. Acredito no espírito da revista e em como o seu núcleo literário jaz nas palavras florescentes impossíveis de ler e no bom coração dos editores que enchem as páginas de cremes e perfumes de brinde para colmatar a perda cerebral do leitor.

Parabéns à Happy e que façam muitos mais anos a levantar a moral dos compradores de outras revistas, que a evitam nas prateleiras como se de sarna se tratasse, a título de preservar um nível decente de amor-próprio.

21 comentários:

  1. Não sabia que era o aniversário da revista...será que vão oferecê-la? A Wook, quando encomendei livros, por duas ou três vezes enviou como oferta a revista do mês anterior...

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  2. Deixei de comprar revistas (de automóveis e de informática) precisamente por me parecer que estava a pagar folhetos publicitários que podia obter de borla e sem sair de casa. :-)

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  3. Eh pa!!!
    Sabes imensa coisa sobre a revista Happy!!!!

    "A felicidade é algo que associo a sorrisos, amor e bolo de chocolate…"
    Para mim…:
    paisagens bonitas, um jantar a dois com o Mr Boop e um bom vinho, dever cumprido, projectos conjuntos.
    :)

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  4. nunca comprei mas, depois disto fiquei entusiasmada com a ideia...sempre bom ler publicações com esta categoria!

    :)

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  5. Sendo que, a média em cada capa, são 12 títulos e, desses 12, três são sobre sexo, temos uma média de 25 % de temas sexuais só na capa. Lá dentro, muito mais que 25 % são, como tão bem dizes, esclarecimentos sobre "todas as questões patentes na problemática de fazer uma orgia vendada, equilibrada no topo de uma palmeira com toda a equipa de hóquei de Santa Comba Dão" :D

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  6. Sinceramente, é um género que não compro, nem leio, tão pouco. Mas, nomes e capas à parte, percebo a tua vasta descentralização do conteúdo de revistas como esta em comparação com o comum dos cidadãos. Porventura, nem será o público-alvo, mas há sempre excepções. Há quem escolha estes conteúdos, precisamente, porque lhes oferecem realidades diferentes. Enfim, falamos de escolhas. Parabéns, então.

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  7. Muitos parabéns à happy...


    Bjxxx

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  8. Happy?...Never heard of it!
    Mas se calhar o problema é meu que não frequento as salas de espera da especialidade.
    Por outro lado, não sou fã de revistas humorísticas (?), mas reconheço que é preciso ter imaginação para usar modelos só com cotos a fazer publicidade a luvas, situação que me sugere de imediato a revolução francesa e a figura de Maria Antonieta a pousar para um pintor de chapéus, depois de ter sido guilhotinada.
    E já que falo em cabeças e modelos, que dizer do último condecorado do dia da raça (Cavaco dixit) deste ano, aquele padre que tinha uma prótese capilar aloirada, que lhe dava um ar de jovem seminarista prestes a ser ordenado.
    Que diabo! Não havia por aí outra terra com uma equipa de hóquei disponível para festa bunga bunga?
    E pronto, o comentário chegou ao fim sem se poder dizer que teve um “happy end”.

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  9. Não consumo esse tipo de revistas. Até me irrita.

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  10. Até podíamos ter perdido, mas gostava de ter visto garra naquele jogo. Eles até começaram bem, mas depois do primeiro golo parece que adormeceram. Uma equipa que quer vencer não pode estar a perder 3-0 ao intervalo e entrar na segunda parte como se o resultasse ainda estivesse empatado a zero...

    Nunca comprei essa revista, a minha moral anda mesmo em baixo :p ahahah

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  11. esta revista já me deu horas de puro deleite no verão, na praia, quando os neurónios estão em pousio. alguns conteúdos eram tão persuasivos na narrativa, que cheguei a pensar que eu era de Marte e tinha sido adotada na Terra e nunca me tinham contado. Sou-lhe muito afeiçoada!

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  12. Escolheste esta como poderias ter escolhido outra qualquer. A verdade é que o 1º passo para arranjar (ainda mais) complexos é ler estas revistas. Não sou adepta, de maneira nenhuma.

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  13. Thank You!
    Antes ainda achava as capas giras - isto há três anos atrás, porque as modelos correspondiam ao nome da revista - agora apenas acho deprimente.
    Pergunto qual é o conceito concreto de ser mulher para esta revista.

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  14. Oferecem-me a revista quando abasteço na galp. Vejo as figuras e envio para o ecoponto azul.

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  15. Por acaso nunca li esta revista!!

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  16. É sempre bom celebrar.

    Parabéns,pois então.

    Beijinhos

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  17. A melhor parte destas revistas são os testemunhos "reais". Ao menos gabo-lhes a imaginação!
    Bom texto, ri-me muito ehehe

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  18. Devo dizer que gosto dessa revista.Dizem que é cor de rosa...

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