terça-feira, 4 de março de 2014

O Óscar é um fácil

O evento dos Óscares podia resumir-se a um desfile de moda no fim do qual um velhote chamado Óscar entregaria aos meios de comunicação presentes uma folha escrita à mão com o nome dos vencedores e toda a gente seria feliz. Os Óscares é um evento para os amantes de cinema, que se tornou, nos dias correntes, num desfile de passadeira vermelha, após o qual a maioria das pessoas desliga a televisão e aguarda pelos resultados para melhor actor, actriz e filme, no dia seguinte, ignorando as restantes categorias. Sendo que, após ofenderem as fatiotas das bimbalhocas todas e considerarem, outras, deusas por empossarem os vestidos que estas nunca verão nem de perto, já podem dormir descansadas, que Óscares sem má-língua, é como canja sem galinha.

Vivendo num país cuja diferença horária faz deste evento algo difícil de assistir em directo, sou uma das casmurras que, fielmente, assiste ao espectáculo até ao fim para saber em primeira mão quem posso ofender este ano e se será digno de partir a televisão quando os meus filmes preferidos não ganharem. Claro que me vou rir se alguém se estampar no palco ou aparecer vestido de chouriço, afinal de contas às 5 da manhã se não houver entretenimento uma pessoa adormece. Não obstante, o meu maior entretenimento foi praguejar pelas 40 vezes que subiram ao palco por Gravidade, só faltando darem uma estatueta a Newton.

A cultura da sétima arte não passa apenas por um evento anual, mas sim pelo que lhe dedicamos o resto do ano. Hoje é um processo fácil assistir aos melhores filmes, em comparação a toda a arte que era escolher um filme no clube de vídeo, sem pesquisar no Youtube o trailler, baseando a escolha nas imagens microscópicas da parte de trás da capa e em descrições vagas. Olhávamos para a capa como se nos pudesse dar pistas da qualidade do filme e por vezes parecia gritar em desespero de tão mau que era o filme. Cresci a ver filmes. Dos excelentes aos de fraca qualidade, via sempre até ao ultimo segundo na esperança que ainda houvesse escapatória para o pobre filme, pensando sempre como havia passado pelas mãos de tanta gente e ninguém esbofeteou o realizador por tal bárbara contribuição para a humanidade. O cinema é uma arte que louvo, para além da constatação de quanto dinheiro alguém pagou por um vestido ou se a actriz principal de determinado filme merecia nomeações por ser vegetariana. Gosto de ver a minha vida como um filme e como tal não gosto que me avaliem apenas pelos sapatos.

21 comentários:

  1. Tornou-se numa feira de vaidades, tudo gira à volta do negocio. Todas as roupas, jóias, o facto da primeira coisa que dizem ao serem entrevistados é o nome do estilista, está programado para um único fim.
    Fazerem-nos comprar vestidos da Dior ou Chanel ou joias da Tiffany.
    Mas eu sou e continuo na minha se pensam que me podem tentar, estão enganadinhos. Vou à Zara, à Lanidor! (ponto final!!)

    ResponderEliminar
  2. Eu bem que tento ver a cerimónia até ao fim, mas o meu sono não me permite.
    «Gosto de ver a minha vida como um filme e como tal não gosto que me avaliem apenas pelos sapatos», uma vénia! Adorei

    ResponderEliminar
  3. filmes? sétima arte? sou "cinéfila" desde que me conheço. comecei pelos musicais do Fred Astaire, que passavam na RTP 1, há muito tempo, a preto e branco. Até babava perante tamanha performance...e depois aquele som surround que comecei a apreciar nas salas de cinema...gosto. pronto!

    ResponderEliminar
  4. Obrigado pelo teu comentário =)

    Eu nunca vi os O´scares porque realmente a hora não é das melhores. Vejo um bocado mas acho que nunca vi quando chegam à parte das nomeações.
    Mas agora só se houve é falar nas roupas e não em quem ganhou o quê.

    Beijocas

    ResponderEliminar
  5. Por vezes nem isso apetece.
    Nunca liguei muito aos Óscares por isso passa-me um bocado ao lado :) *

    ResponderEliminar
  6. Não ligo muito aos óscares..

    Perguntei-te se eras de Portugal porque reparo que, por vezes, comentas o meu blog às 4h/5h da manhã. Era só para saber se tens horários mais alternativos ou se era da diferença horária de um qualquer país. ahahahah

    ResponderEliminar
  7. (O meu comentário não entrou, vou tentar reproduzirde memória)

    A última frase do seu texto faz-me recordar um clássico dos westerns de Hollywood, de Raul Walsh, "Todos morreram calçados", em que quem ganhava eram os feio, i. é, os índios.
    Na fita dos Óscares, ganham sempre a(o)s bonita(o)s. Glamour oblige...

    ResponderEliminar
  8. hahah tão verdade! apesar de tudo há que reconhecer que onde Gravidade ganhou, foi merecido. Nunca pela história ou melhor filme, mas toda a técnica é de se louvar SIM!

    ResponderEliminar
  9. Eu sou um grande má língua e acho que os Oscares é uma palhaçada tão grande, que a cerimónia é digna de ser apresentada no Palácio de Belém, pela Maria Cavaca.
    Nem dou muito crédito às qualidades atribuídas a um filme, só porque ganhou um Oscar. Aquilo é tudo combinado. :)

    ResponderEliminar
  10. Do teu post tenho que destacar uma frase:"Gosto de ver a minha vida como um filme e como tal não gosto que me avaliem apenas pelos sapatos."Maravilhoso

    ResponderEliminar
  11. É verdade que os Óscares se tornaram mais um desfile de glamour do que um desfile de filmes... é algo triste.

    ResponderEliminar
  12. Desculpa, nessa secção sou uma inculta. Pois não vejo os óscares e nem fico atenta à indumentária dos meninos e das meninas que por lá se passeiam. É que não ligo mesmo. Sou mesmo uma anti-fashion, pronto, que querem. ;)

    ResponderEliminar
  13. Eu nunca consigo ver os óscares em directo.:)

    ResponderEliminar
  14. É a reviravolta sucessiva que ganhou manhas com o passar do tempo. Tudo mudou ao passo da evolução. Ou, da aparente evolução. Confundem-se termos. Às vezes, são revoluções. Fracas, muito fracas. Depois, perdem-se as raízes e o espírito da ocasião. Hoje, para muitos, importam bem mais os tecidos, os costureiros. A passadeira vermelha, no fundo. Vale o que vale.

    ResponderEliminar
  15. Não precisei de ver os Óscares, o facebook fez um relato minuto a minuto! Fiquei logo a saber que o DiCaprio não era o melhor ator, e que a não sei quem Lawrence (que fez um filme, cuja popularidade não entendo) caiu. Por estas pequenas coisas, percebo como vale pouco a pena ver isso.

    ResponderEliminar
  16. Como tu, fico para ver o evento mas sinto que é apenas teimosia de uma tradição.
    Este ano, torcia apenas pela Caça como melhor filme estrangeiro e contra os U2, não só por gostar da Let it go do Frozen, como pela música do u2 ser qualquer coisa de mau a dar para o péssimo.

    Não só vejo a minha vida como um filme, como faço questão de ter sempre banda sonora a tocar, principalmente músicas dos anos 80, sempre que vou ao café com o borrachinho de olhos azuis, tenho o cuidado de acompanhar a "cena" com a Danger zone do Kenny Loggins.

    ResponderEliminar
  17. Adorei a tua opinião sobre os Óscares. Eu nunca consegui ver! Dá muito tarde, e para saber os resultados, basta ir à net no dia seguinte. E para ver os trapinhos que desfilaram na red carpet também basta isso! E por acaso sou uma dessas que gosta de tecer alguns comentários sobre as indumentárias! Eheheh

    Beijinho e bom fim-de-semana *

    http://agatadesaltosaltos.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  18. Não posso criticar porque eu própria acabo por reparar e escrever sobre as fatiotas do pessoal mas percebo-te e sou a primeira a dizer que a cerimónia dos óscares, qual tipica americanice, tornou-se numa cerimonia um bocadinho ridicula. Demasiados apresentadores a tentarem ficar na historia cada um com palhaçadas piores que o outro. Está-se a banalizar uma cerimonia que antes era a maior do mundo do cinema e que agora parece apenas um espectaculo de comedia.
    Rita

    ResponderEliminar