quinta-feira, 27 de março de 2014

"Maçãs" dizem eles

Aponto o dedo em modo trocista, acompanhado de riso sorrateiro por cada mulher que faz jus ao estereótipo feminino. Mostro pavor pela ideia de poder ter em mim algo de dondoca sem sal, fazendo-me crer que a única parte de mim que respeita o cliché é uma semana mensal em que os meus olhos são a personificação de diques que rebentam por cada vídeo com gatinhos que vislumbram. Durante essa semana, acabar a manteiga é um motivo admissível para me atirar para o chão em angústia, tirando isso sou uma orgulhosa ausência de feminismo.

Sem condescendência aos níveis de colesterol que me assistem, sou capaz de me fazer acompanhar de um manancial de batatas fritas no quotidiano, fingindo que morrer prematuramente é uma ideia que me agrada. Afinal de contas, tenho uma imagem a manter. Não obstante, há um alimento que é imediatamente associado às mulheres e o qual evito: chocolate.

Como vítima de uma dependência extrema que foi internada para tratamento, evito chocolate como se de balas se tratassem. Lido bem com a ausência desta substância no meu organismo, mas quando ocorre um acto divino, este não pode ser negado, e se há chocolate nesta casa só pode ter sido um anjo a traze-lo. Assim que me toca nas papilas gustativas, acontecimento derivado de uma queda totalmente acidental que me fez abrir um pacote de maltesers com a cabeça e em busca de oxigénio a minha boca aceitou a dádiva de uma bolinha de chocolate que rebolou goela acima (plausível, lógico e claramente possível), não há volta a dar.

Não porto orgulho em admitir que pareço uma suricata em busca de chocolate por casa e quando descubro que terminou finjo uma morte lenta e dolorosa até que alguém se digne a ir comprar chocolates, visto que tenho tendência a morrer em frente à televisão em horário nobre, não costuma demorar muito. Guincho, rebolo, imito focas e faço o meu melhor olhar lacrimejante. Quando trazem o chocolate errado esta casa mete a Guerra-fria a um canto, mas quando chega o chocolate certo o lago dos cisnes ocorre à porta de casa.

De cabeça baixa de desilusão e olhos a fitar o chão, admito a minha vergonha em ser mais uma mulher que para ai anda, daquelas que trocava o sonho da casa na pradaria de cerca branca e história feliz, por uma casa de chocolate com internet. A bíblia certamente falava de chocolate e não de maçãs.

10 comentários:

  1. Não sou aquela fã de chocolate, à excepção de bolo caseiro não ligo mesmo nada a esse servo do mal. :)

    Beijos

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  2. O primeiro passo para a resolução do teu problema é admitires que o tens. Não só já o fizeste para ti própria, como vens aqui fazer a público.
    O segundo passo é pensares sobre o assunto o tempo suficiente até descobrires que, das duas uma: ou não é um problema, ou então é um mal necessário (obviamente, não há uma terceira hipótese que diga que de facto tens que abandonar o chocolate!).

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  3. lol....
    Normalmente não ligo nem sinto falta, mas de vez em quando sou assolada por uma vontade incontrolavel de comer chocolate. Uma carência que dói.... tb não entendo. ;)))

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  4. Começando pelo fim (já é mania): A bíblia fala de maçãs porque quem a deu a comer foi a Eva. Aliás, nem se sabe bem quem ou o quê o Adão comeu (refiro-me à cobra, claro...)
    Se o criador tivesse invertido os papeis, acredito que o Ambrósio, perdão, o Adão, fosse capaz de oferecer o "algo" que a Eva queria, i. é, um bombom. Só duvido que tivesse 70% de cacau, que é o mínimo aceitável.
    Como já sou um pouco mais antigo, não sei se os actuais Adões sabem escolher os chocolates e sobretudo as Evas.
    Mas já que falamos em batatas fritas e sem que o meu colesterol se aperceba, porque, com tanta verdura que me enfiam pela goela, deve estar a repousar aí pelos 170, só lhe digo que tenho fúrias de voar para aí, encher um prato com elas e chamar-lhes um bife!

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  5. se falar sobre chocolate, me curasse de alguma dependência que tenho face ao produto, eu já estava num nível de ascetismo invejável.assim, constato, que quanto mais falo, ouço falar mais dedicada fico à causa. não sou de emborcar qualquer mistela que aponte para a cor acastanhada com prata a envolver....os do "ambrósio", por exemplo não são das minhas relações, gosto do negro, do tal de setenta por cento...coisas! bom fim de semana. :)

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  6. Adoro chocolate, então de for chocolate preto com menta a perdição é ainda maior :)
    Adorei o texto, como sempre!

    Beijinhos,
    http://asgavetasdaminhacasaencantada.blogspot.com/

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  7. eu sou choco dependente, admito. adorei o texto , adoro tudo o que escreves !

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  8. Não me importo nada de ser gaja e se for preciso usar laços cor-de-rosa e purpurinas para ter free pass para comer chocolate, que seja!

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