sábado, 15 de março de 2014

Farfalheira

Um cumprimento, um olhar para o relógio a averiguar se já chegou a hora, um sorriso de concordância e quando damos por nós estamos de pernas abertas encima de uma maca com uma senhora a olhar para nós como se estivesse a virar um frango, tudo isto sem sequer nos pagar um jantar. Já não bastava ter que aparar os pelos das axilas, sobrancelhas, pernas, buço e outras possíveis localizações bizarras, como agora quem não tenha a zona púbica limpinha com lustro puxado ou relevos que retratam o Panteão dos Descobrimentos, não está certamente bem.

As profissionais da depilação conseguiram o prestigiado prémio que durante anos foi açambarcado pelos dentistas, o “sabe lá deus onde é que isto andou”. Porém, é de louvar a sua capacidade de fazer conversa, que pensamos ser para nos distrair, mas é para elas se distraírem e não terem que ver onde andam com as mãos. Elas de mim até cheques conseguem assinados se me ameaçarem com cera.

Os tratamentos de beleza que possibilitam distinguir o sexo feminino de um babuíno, têm um valor total que mete as propinas universitárias a um canto. O Estado devia comparticipar este tipo de tratamentos fundamentais às taxas de natalidade. Já os homens podem deixa-los com pelos, que rapados parecem pinguins prontos a deslizar no gelo. Chegam estes primeiros dias de calor e lá somos nós obrigadas a recorrer a estes métodos de tortura ancestral, ora é cera, ora é linhas, ou mesmo serras eléctricas para cortar as lianas que nos aqueceram as pernas no inverno e o bigode à Zé Povinho que quase me fez mudar o nome para Manuel.

16 comentários:

  1. Queira deus que essa moda nunca pegue pró lado dos gajos. Eu às agulhas já me habituei, mas continuo a deixar que o penso rápido que põem depois de me tirarem sangue, caia por si, depois de três ou quatro banhos. eheheheh

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  2. Depois desta prosa mordaz e "cortante", fico estupefacto como há jovens que têm a lata de levantar cabelo para o "nosso cabo barbeiro" quando este lhes aplica a máquina zero no início da recruta.
    Pelo sim pelo não, cá para mim, continuo com o penteado de risco ao meio -ainda que largo- e barba passa- piolho. Safa!

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  3. Deixaste-me a pensar com aquela dos pinguins..

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  4. Ainda não ganhei coragem.... Ainda tenho muito frio à noite eheheh

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  5. Realmente, devia ser comparticipado ahah

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  6. Se há trabalho que não invejo, é tosquiar a penugem alheia!!

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  7. Passo-me com as conversas das senhoras. Compreendo que seja por simpatia mas não faço questão de desbobinar a minha vida toda, de intimidade já levam que chegue.

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  8. Felizmente nunca tive de recorrer a profissionais, sou uma daquelas mulheres sortudas que nada têm a ver com os seus "primos" babuínos. Mas segundo recolho junto do meu leque de amigas, sei que é uma renda, para quem é dotada de pêlo e quer ver-se livre de tal coisa nesta altura do ano.

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  9. Esta deve ser, muito provavelmente, o único tipo de tortura que as pessoas ainda acham aceitável... Já a mim faz desejar ter nascido homem.

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  10. Não é a coisa mais agradável do mundo, não. Nem para quem vai arrancar nem para quem arranca, mas é um mal necessário para um "bem maior" :P

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  11. Ahahah bem visto, concordo com a comparticipação!

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