sábado, 1 de março de 2014

Esquimó dos repolhos

Carnaval, termo proveniente de carnelevare: retirar a carne. Período de festejos que prevalece desde os tempos medievais e ao contrário de outras datas significativas no calendário gregoriano, esta devia oscilar de data consoante a temperatura e mentalidade do país. O carnaval é festejado em todo o mundo, sendo alguns dos locais mais marcantes o Brasil, Veneza e até Colónia na Alemanha. Cada qual adequa esta data à sua cultura e ambiente envolvente, mas o português quer ter um Carnaval com tudo o que tem direito, excepto a apanha do repolho que acho que iria potenciar a data.

No Brasil o calor pede pelo samba, pelas peles nuas e bronzeadas, em Veneza a magia do misticismo, as máscaras clássicas e o romance dos trajes medievais, em Colónia o álcool. Com 11º C, uma tempestade digna do Camboja e os tons pálidos nos rabos com celulite de um povo que não prescinde de um prato de feijoada, não há português que se preze que não se mascare, pintalgue a cara ou vá sambar debaixo de chuva. Podíamos adequar esta data à nossa cultura, mas decidimos escolher uma alternativa das máscaras venezianas, com uma tentativa de samba, embrenhado num banho de álcool. Nós somos, na realidade, a origem do Carnaval, pois a origem do nome estar associada a retirar carne é, obviamente, subsequente a um português que arrancou um braço que entorpeceu hipotérmico para prosseguir a parada.

Os portugueses gostam de ter pretextos para se divertir e extravasar, quando é viável mostrar o rabo ou um lado obscuro, que pende tendencialmente para a mudança de sexo, é dia santo. Os homens têm a liberdade de se mascarar do que quiserem, as mulheres nas lojas de fantasia têm a vasta escolha de qualquer profissão no mercado, mas em modo prostituta em saldos. Das freiras à pasteleira, todas empossam uma bela meia de liga vermelha e decote que transcende as leis da física. Se nos adequássemos à meteorologia corrente, íamos vestidos de esquimós ou pescadores de caranguejo no Alasca, contudo isso não ia possibilitar a gripe consequente a este festejo. Não é por acaso que o Carnaval são três dias, o primeiro é a festa e os restantes é a ressaca, a gripe e a realização que deixaram o braço em Estremoz. 

22 comentários:

  1. Quando era pequenita adorava o Carnaval, agora não ligo minimamente.
    «Os homens têm a liberdade de se mascarar do que quiserem, as mulheres nas lojas de fantasia têm a vasta escolha de qualquer profissão no mercado, mas em modo prostituta em saldos», acho que é basicamente isto que acontece ahahah

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  2. Os registos foram diferentes, a minha abordagem foi exclusivamente doméstica, mas houve alguma semelhança na introdução.
    Os monos e as matrafonas vão ser todos "iguais" durante uns dias, para, como diz a canção, tudo se acabar na quarta-feira...
    Bom fim-de-semana

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  3. ai não gosto nada desta altura do ano cá em Portugal hahahah xD

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  4. "pescadores de caranguejo no Alasca" - é disto que irei no próximo ano. Obrigada!
    De resto é como descreves, importamos danças desnudas e abanar de rabos que saem do sofá 1 semana por ano e não têm vergonha de ir nesses preparos. Nos últimos (bastantes) anos, Portugal mascara-se de país tropical. E, não havendo o Carnaval de S. Martinho, parece-me, a todos os níveis técnicos, uma decisão estúpida.
    Modernices.

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  5. Ricardo Araújo pereira tem uma sátira excelente a isto mesmo!

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  6. Aqui para estes lados, o S. Pedro anda a fustigar os foliões com chuva :) Mais um ano de prejuízo para o Carnaval da Mealhada!

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  7. Ahaha...brutal! Não há como discordar do que dizes :P

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  8. R: opah se eu ressonar com muita convicção ainda sou expulsa, já que estou na cama do meio

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  9. eu fico com pena do tempo não permitir um desfile com samba e muita pluma e paêtes, coisa muito típica da cultura portuguesa, tão típica, como ver dançar o "vira" ou o"o corridinho" no sambódromo ou nas ruas do rio de janeiro.

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  10. Gostaria que alguém me explicasse por que razão os portugueses gostam tanto de se mascarar de mulheres nestes dias....

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  11. Não acho a mínima piada ao Carnaval e não percebo como é que há autarquias que investem milhares de euros em desfiles que não chegam a realizar-se devido às condições do tempo!
    Sair à rua só mesmo mascarada de esquimó! :)

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  12. Particular e muito divertida, esta visão do Carnaval. Em tudo, muito realista. Arrisco até, bem mais interessante a tua definição, do que os festejos portugueses por estes dias. Não sou fã da época, tampouco dos festejos. Mas respeito a euforia e dedicação de quantos se entregam a ela. Dos muitos, talvez encontre algum encanto no de Veneza.

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  13. O teu texto fez-me rir. Olha eu nunca achei piada ao Carnaval nem nunca me mascarei decentemente :p

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  14. Eu até gosto de andar pelas ruas e meter conversa com pessoas que não conhecemos de lado nenhum, é engraçado.

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  15. Tens tanto jeito para escrever xD Eu adorava o Carnaval e ainda hoje não desgosto.

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  16. Gostei. Hoje fiz um post no face do blog com os mesmos traços gerais deste teu. Amanhã salta para o blog.
    Carnaval é algo que me transcende. Enfim, manias minhas, talvez... ;)

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  17. Não ligo nada ao Carnaval mas não gosto desta moda de Carnaval português com samba. Nada, uma dúvida, és de Portugal?

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  18. Nunca achei piada ao Carnaval, é festa que não me diverte.

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  19. Não aprecio os três dias do carnaval...

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  20. Não gosto do carnaval, mas os miudos adoram, agora até os netos.

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  21. Aiiiiiiiiiiiiiiiiiii, tu és fantástica! Eu odeio o carnaval, mas o que odeio ainda mais é ver as minhas amigas no facebook a mostrarem a pele, todas felizes da vida, sorridentes e descascadas, e no dia seguinte escreverem "febre" ou "gripe" ou "ando a comer mel às colheradas!". ridículo!

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