segunda-feira, 10 de março de 2014

Archotes de felicidade

A noite é calma, o silêncio predomina e entre as brumas que me conduzem em sonho, oiço-o sussurrar, sinto-o a sentir-me a pele ao de leve como que um amante sob um desejo sigiloso. Como que proveniente de uma entidade divina sinto uma mão a assentar-me a cara. Afinal era um mosquito e a mão era a minha.

Habito sobre um antigo cemitério de mosquitos índios e há sempre um que tem que me vir acordar para relembrar que estou a esborrachar o defunto da mãe dele. Não me venham com histórias que só há mosquitos no Verão, simplesmente, sem estarmos vestidos com quarenta camadas de roupa têm Via Verde para a nossa derme. Eu, pelo menos, posso estar em pleno Alasca e serão mosquitos a entregar panfletos e mapas à saída do avião. Posso besuntar-me em repelente, eles vão picar-me no milímetro quadrado que não estava embebido em produto. Eles estão em todo o lado.

Haja animal mais desnecessário à existência humana, pensam-se melhor que os outros, anunciando a sua chegada como se de um cavaleiro do apocalipse se tratasse, finta-nos em prol de nos sugar o sangue e deixar solavancos numa pele que já os tinha naturalmente e obriga-nos a fazer figura de Xena a princesa guerreira por nos pormos de pé encima da cama de revista em punho como se de um Viking se tratasse (não que fosse atacar um Viking com a Maria). Vencem-nos com a nossa própria força, pois esbofeteamo-nos como se o nosso nariz estivesse a ter um surto canibal. Preocupa-se o Homem em criar bombas, se se dedicassem em constituir um exército de mosquitos ganhavam qualquer batalha, se não fosse pelo seu talento de chupar sangue seria certamente por extenuar o adversário. Quero dormir e quero um archote para o meu aniversário.

12 comentários:

  1. O romantismo que poderia imperar por aí.

    Já eu acordei, lá para as 5, com um “ Estou tão (som muito estranho do tipo engolir em seco) enjoadaaaa". E ninguém voltou a dormir.

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  2. Maldita praga. Morei numa casa à beira de uma ribeira onde não tínhamos ordem de abrir uma janela, nem pelo tempo estritamente necessário a colocar o caixilho de rede que construí.
    Era bicho que exterminava da face da terra. :$

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  3. A parte mais engraçada é que os mosquitos têm dentes. É um facto que descobri no outro dia e desde então que o conto a toda a gente que me fala de mosquitos, porque vá se lá saber porquê acho que são animais ainda mais nojentos pelo simples facto de terem dentes xD

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  4. Eu não tenho razão de queixa. Sou incomodada por mosquitos uma ou duas vezes por ano :p

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  5. hahaha muito engraçad a forma como escreves, mas olha que o mosquito, tal como todos os seres, são sim necessário para a sobrevivência deste mundo ;)

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  6. Não me parece que vikings e mosquitos possam, os dois em simultâneo, partilhar o espaço na alcova de alguém, porque uma lata de spray e uma lata de cerveja não são recomendáveis sob lençóis.Há sempre o risco de serem trocadas e nunca se sabe o perigo que representa um mosquito bêbedo.
    Mas se alguma vez quiser atacar um viking com a Maria, convém verificar se a capa é sugestiva. Já para os mosquitos nada melhor do que o Correio da Manhã, apesar de nos últimos tempos, apresentar sinais de anemia.
    Essa da mão na cara é de antologia.

    (Como é hábito, deixei-lhe uma resposta no bth)

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  7. ODEIO MOSQUIIIIIIIIIIIIIIIITOS!!!!!!!!!!!!!

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  8. Normalmente no inverno não há muitos, mas se por acaso habitas por cima de um cemitério de mosquitos índios quem sabe se queimares um bocado de salva e fizeres um ritual, eles te deixem em paz?...eheheh
    Compra um mosquiteiro e finge que estas a viver uma aventura em "africa Minha" ;)))))

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  9. Detesto quando eles zumbam aos ouvidos:(

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  10. Os mosquitos têm mesmo o dom de irritar uma pessoa!

    Pois, o problema é mesmo esse: serem caras e difíceis de encontrar. Mas adorava ter uma, é mesmo um sonho antigo. Não consigo explicar, mas sempre tive um fascínio por elas. Eu acompanho-te nessa viagem então :) ahah

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  11. É horrível quando estás mesmo quase a dormir e parece um mosquito com aquele barulho irritante. Eu escondo-me logo de baixo do lençol com medo que ele me entre pelo ouvido dentro (estupido e estranho eu sei) xD

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