segunda-feira, 31 de março de 2014

A cavalo serei heroína

Um dia irá descer dos céus um anjo todo corpulento e vai anunciar entre uma anedota e um passinho de dança que os meus dias a atormentar seres vivos irá chegar ao fim. Nesse dia irei contactar o melhor traficante de droga da América do Sul e ordenarei que me entupam com drogas cujo nome não seja capaz de pronunciar. Sou contra o uso de drogas pelos danos que podem efectuar à nossa vida e existência, já de si algo limitada na terra, mas recuso-me a morrer na ignorância de como é que alguém que parece estar em processo de desmembramento absoluto consegue ter mais energia que eu e achar que uma parede é feita de algodão doce. Eu quero, orgulhosamente, lamber uma parede antes de morrer, e gostar!

O meu pensamento percorre mundos ao me deparar, ocasionalmente, com indivíduos que parecem ter sido amamentados por heroína montada a cavalo e conseguem ter discursos mais plausíveis que a grande maioria da juventude com que tenho que lidar. Certamente são os círculos populacionais dementes que são atraídos para o epicentro de comentários sarcásticos e variedade extrema de olhares e suspiros de frustração, que é a minha pessoa.

A vivência no centro de Lisboa leva-nos a ouvir os mais variados comentários sobre os traficantes de droga de etnia cigana que se encontram nas ruas. Comentários esses que me fazem esboçar um sorriso de compaixão maternal, como quem está prestes a contar a história da cegonha a um filho. Aqueles indivíduos vendem tanta droga como eu vendo paciência. Estes empreendedores de rua proporcionam a qualquer civil a possibilidade de comprar, a preços exacerbados, gramas de pó para a prisão de ventre, coentros e farinha. Pelas vezes que os intestinos nos falham e é difícil encontrar uma farmácia de serviço, basta assobiar no Rossio e eles até fazem parapente para nos vir socorrer. Por aquela salada que precisava de uma pitada extra, lá estão eles. Ou na eventualidade de querermos fazer apenas um biscoito, eles estão disponíveis. Por esta diversa prestação de serviços a policia não os pode deter, seria como prender o padeiro. Porém, um padeiro que faz parte de grupos influentes capazes de arremessar carcaças até à morte. Se alguma vez alguém sentiu algum efeito ao comprar as ditas, drogas de rua, foi por terem ficado com a farinha colada às fossas nasais e com a falta de oxigénio a chegar ao cérebro certamente vislumbraram algo, nem que tenha sido a calçada portuguesa.

O humano é um ser fraco por natureza, para não dizer estúpido, e quem tenta alguma droga na convicção que não a volta a tomar se não for de seu desejo, pode apostar todos os dentes que vai deixar de ter na boca. Se não for pela saúde e desejo de falar mal da geração que vos segue, façam pelo dinheiro. É como pagar um caixão em prestações altíssimas, quando na realidade se esquecem de viver uma vida digna de um dia lembrar e enterrar.

14 comentários:

  1. Há coisas sobre as quais prefiro morrer estúpida. Não vejo qual a necessidade de dar cabo da nossa vida por causa das drogas, mas talvez um dia alguém me consiga explicar qual o sentido

    Beijinhos,
    http://asgavetasdaminhacasaencantada.blogspot.pt/

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  2. Quando eu era miúdo lambia-se a parede para disfarçar o cheiro dos -outros- fumos e enganar (?) os pais.
    Mais tarde, mesmo correndo o risco de cegar, imaginei-me a cavalgar com uma Lady Godiva e concluí que jamais necessitaria de “artifícios” para alcançar o imaginário.
    A propósito, ouvi dizer que há heroínas que não passam de simples redundâncias...
    Este tema é capaz levar longe, mas trata-se de uma trip, à qual nenhum programa -de viagens- me consegue convencer.
    Quanto às carcaças, percebo agora porque é que um certo sorriso matinal com que alguém me saudava regularmente e cuja moldura -superior- esbranquiçada, eu sempre atribui à farinha do pãozinho do pequeno almoço, era muito mais do que uma simples estratégia de sedução.

    A Lisboa que tenho nos genes e de que sinto sempre falta é diferente. Caramba devo ser mais antigo do que pensava.

    PS: Parece-me que afinal a terceira guerra não dá sinal. Querem ver que os botões, não esquecidos, já estarão fora de moda quando vier a quarta?!... :)

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  3. Porra, aleluia que pensa como eu neste assunto HAHAHAH! MORRI DE RISO! E essa parte de que têm discursos mais coerentes que muito jovem hoje em dia, é tão verdade!

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  4. é um assunto tão escalpelizado, e mesmo assim sempre atual, porque preocupante, na medida em que, apesar de tanto organismo orquestrar a saída para este problema, parece que não vale a pena, pois há sempre gente apostada em implodir. boa semana!

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  5. Parece que agora há drogas que deixam a pessoa logo viciada. Basta uma vez...
    Também não percebo, com tanta informação como é q ainda experimentam...
    Inconsciência no seu melhor...

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  6. O Mundo em geral e a nossa sociedade em particular, estão a passar por sérios e graves problemas ao nível da toxicodependência....depois, combater esses carteis de droga, não é fácil.

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  7. Não sei se há assuntos sensíveis se, por seu turno, são as pessoas que os preferem moldar e apelidar de sensíveis. O poder da informação, entre outros aspectos, trouxe-nos a proximidade e o conhecimento bem mais acessível. Nunca, por respeito, se deve expropriar pessoas. Mas, inevitavelmente, poder-se-á questionar. Sempre.

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  8. ahahah Essa da droga falsa é muito boa!

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  9. Ah que ter muito cuidado com esses narcotraficantes...o produto é do bom!!

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  10. O interessante é que para entrar nas drogas,entram sem pedir permissão...entram porque querem...
    São raros os que REALMENTE querem se ver livres desse mal.
    Uma pena,geralmente é um caminho sem volta...
    Os cartéis parecem ser mais fortes que a lei!
    Mais uma vez:
    QUE PENA!!!!!

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  11. Há tantos tipos de droga.
    Nada como a liberdade, mas existirá em absoluto?

    beijinhos

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  12. Aí está uma coisa sobre a qual prefiro ser uma ignorante. Há tantas outras formas de nos evadirmos da nossa rotina, do nosso stress. Não é preciso darmos cabo da nossa vida para isso.
    beijinho

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  13. r: tens toda a razão, devemos sempre aproveitar a vida ao máximo! :)

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  14. Tinha uma resposta na ponta da língua... mas este pó que encontrei levou-me a lembrança e o trocadilho! Paciência... :)

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