terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Vida de gritos

A repetição leva à perfeição é um conceito que me agrada e conforta cada vez que penso que vejo, repetidamente, desde criança,   filmes de terror de baixa qualidade, intitulados vulgarmente de faca e alguidar, e me vou tornar numa profiler extraordinária ou numa serial killer que não sabe onde é a jugular. Tenho consciência que caso os filmes de terror fossem uma boa fonte para criar pessoas mentalmente perturbadas, eu seria menina de já me ter passado da marmita de tal maneira que a série do Dexter teria o meu nome. Contudo, gosto de me ver como quem se vai safar num apocalipse zombie ou de uma convenção de assassinos em série que possa ocorrer em Lisboa.
Poderia culpar a entidade paternal de me ter viciado na arte do sangue projectado em direcções estapafúrdias, porém tenho defeitos suficientes para usar esse trunfo com mais sensatez, culpo-me a mim e à minha curiosidade mórbida em relação ao cinema. O que um dia me assustou hoje são as minhas comédias românticas (ninguém se ri tanto com catanas e jactos de sangue como eu), o que antes me fazia sonhar hoje assusta-me. Tornou-se num ritual sempre que vou a casa dos meus pais, alugar o pior filme de terror no clube de vídeo e vê-lo como se fosse um premiado para os Óscares. O Krugger foi, em parceria com a minha avó (pior que ele três dias), a minha ama. Aprendi tudo o que sei sobre correr em direcção do grito de morte da minha amiga loira, correr para o último andar que só tem como possível saída uma janela para a linha-férrea, ir sempre a caves suspeitas sozinha apesar de todos dizerem que é estúpido mas ninguém ser capaz de me impedir e achar que serras eléctricas soam a pardais a chamar-me para dançar em campos verdejantes.
A minha geração foi treinada a odiar palhaços e se rir de filmes de terror (apesar de não admitir que os ver sozinho em casa é má ideia), segundo os nomeados para os Óscares deste ano depreendo que esta nova geração vai aprender a ser escrava da toxicodependência, pelo menos durante 12 anos.

8 comentários:

  1. Tenham medo, tenham muito medo! lol....
    Não me imaginava a ver o Krugger com a minha avó! lol

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  2. concordo , também odeio palhaços por causa de filmes de terror , e aqui uns tipos na zona onde moro que têm palhaços tatuados (sei lá eu porquê) e no verão quando vejo aquelas coisas tatuadas nos braços deles fujo a sete pés com a imagem daquilo na minha cabeça durante semanas

    r: ahah compreendo , se tivesse no teu lugar fazia exactamente o mesmo

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  3. Nunca vejo filmes de terror. Uns por não terem conteúdo (pelo menos conteúdo que me interesse), outros por serem demasiado violentos. Não gosto de violência gratuita e muito menos a pagar. eheheh

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  4. Muito, muito obrigada *.*

    «Tenho consciência que caso os filmes de terror fossem uma boa fonte para criar pessoas mentalmente perturbadas, eu seria menina de já me ter passado da marmita». Revejo-me, não na questão dos filmes, mas a nível de séries. Adoro séries como Dexter e outras que tais, mas filmes de terror já é uma coisa que evito porque não me fascinam.
    Quando estava no 12º ano vi o filme «A Orfã» em casa, sozinha na sala e jurei para nunca mais. É ridículo, mas não consegui dormir de noite porque sempre que fechava os olhos só conseguia imaginar que quando os voltasse a abrir ia ter uma criança com ar macabro e faca em punho pronta a mandar-me desta para melhor :p
    Pretenso ao grupo de pessoas que prefere comédias românticas, ou filmes como o «12 anos escravo» onde chorei regularmente.
    Mais um excelente texto!

    Beijinhos*

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  5. Não tenho por hábito, nem mesmo esporadicamente, ver filmes de terror. Porquê? Porque sou uma medricas...

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  6. Eu gosto de terror, mas quando são aqueles que já sabemos o que vai acontecer e como X vai morrer, só me rio ...
    Agora há histórias de amor que são piores que de terror :)

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  7. eheheh Eu odeio palhaços, admito. Circos e palhaços.

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  8. Aconselho um clássico de terror "Nosferatu".

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