terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Um espirro por um funeral

Os elementos do sexo masculino têm em si, durante toda a sua vida, algo de veterano de guerra sociopata que sofre de incontinência. Como qualquer criança, em pequena a minha coordenação motora e raciocínio lógico nem sempre estavam aliados, criando queixos esfolados, joelhos negros e egos destruídos. Foi cedo que percebi que de pouco servia chegar a casa e me queixar às entidades grisalhas, que a meus olhos tinham sido tu cá tu lá com os dinossauros. Por cada dedo meu que estivesse partido, tinha que sucumbir à história em como a minha avó havia partido os dois braços a estender a roupa num dia de verão em que fez demasiado vento. Partir um dente, era ver ela sacar da placa e ma esfregar no nariz para me mostrar como já não tinha nenhum e estava rija. Tudo aquilo que alguém possa ter, a realidade é que os idosos tiveram pior, porque têm cem anos de avanço ou porque estão senis e acreditam que fizeram parte do império egípcio e andavam a carregar calhaus às costas para bel-prazer de César.

No dia em que sai de casa calculei que esta fase havia passado, sabendo que um dia seria eu a que atiraria o seu olho de vidro à cabeça do meu neto insolente quando ele se queixasse de ser míope. Porém, não houve intervalo na fase do queixume, estava errada e os meus pais nunca me alertaram com medo que eu nunca saísse de casa. Arranjei um homem!

Eu caminho em casa como se de um pequeno pónei me tratasse, é só magia e confettis, nunca me dói nada. Isto, pois há doenças que se apanham por via respiratória, os homens apanham tudo por osmose. Se eu for atropelada por um Mini, garantidamente ele vai tentar salvar-me ao atravessar a estrada na altura em que uma carrinha de caixa aberta cheia de cabras do monte estiver a passar. Não estou destinada a sentir o glamour de me doer um dedo, nem a alma, sem ter que meter compressas frias na alma de outro.

Recentemente estabeleci laços deveras fortes com a minha sanita e as dores que tinha fizeram-me aproximar-me espiritualmente da personagem que no “América Proibida” come o lancil. Pensei ter, finalmente, a minha oportunidade! A personagem máscula cá de casa cedeu-me 24 horas de melhoras antes que ele próprio decide-se tossir duas vezes, cuspir para a pia e tomar a decisão administrativa que ia morrer se não tomasse soro naquele instante. Momento, no qual, as minhas energias retomaram, não pelo lado maternal que despertou em mim, mas porque as dores foram tomar um copo para festejar a reforma antecipada. Agora compreendo a minha mãe nunca estar doente, se espirrasse em seguida tinha que correr com o meu pai para as urgências.

14 comentários:

  1. Adorei o texto.
    Pobrezinhos do sexo masculino, não podem ter um vestígio de de doença que estão quase as portas da morte!
    Atesto e assino pelos másculos do meu lado! ; )

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  2. Oh, cuida de ti, que pareces precisar!!

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  3. Mais um texto fantástico! Adorei :D

    Beijinhos*

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  4. Definitivamente sem comentários mas mesmo assim assino em baixo..........................

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  5. Ora, discordo em parte.

    Eu não que queixo das minhas maleitas à minha (inserir nome muito carinhoso que nunca tenho em mente) mulher. Ela também não. No dia em que um se queixa, está tudo lixado... geralmente sofremos do mesmo.

    Já no caso dos avós\pais...check.

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  6. E eles não se conheciam, foi um grupo formado durante o programa, mas acho que resultam muito bem juntos. Foi uma aposta arriscada, mas, no meu entender, ganha porque as vozes combinam e conseguiram construir um percurso fantástico.
    Pois, eu partilho dessa opinião. Estes programas são ótimos para rampa de lançamento, mas o problema é que depois muitos deles caem no esquecimento porque não lhes dão oportunidades. É pena, pois passaram por lá pessoas muito talentosas. Em relação aos Aurora, acho que têm tudo para singrar, não só pelo talento e pela vontade de fazer mais e melhor, mas porque o mentor deles mostrou todo o interesse de continuar a trabalhar com o grupo depois de saírem do programa. E pelo que tenho acompanhado já estão a gravar um original

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  7. Os homens não são "maricas" com as doenças. Somos é oportunistas e sabemos que se estivermos doentes, nem que seja a fingir, a gaja deixa de contar com as ajudas na lida da casa e ainda nos leva uma bebida quente ao sofá. ahahah

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  8. Que texto fantástico!
    As melhoras...para os dois!:);)

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  9. Touché!
    Mesmo assim, tenho de reconhecer que é um belo texto :-)

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  10. Risos... o que vale é que já lhes vamos conhecendo as manhas e coisa e tal. Muito bom! ;) Olha, assim como assim, as melhoras. :)

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  11. Os homens não são todos assim. Há piores...
    Mas também há melhores, muito melhores: Eu :)
    Um texto demolidor, por vezes injusto.

    Já agora, é arrepiante imaginar a "pata" do Edward Norton (salvo seja) em cima da cabeça.

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  12. Homens! Lá em casa é igual! LOL as melhoras para ti!

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