domingo, 2 de fevereiro de 2014

Crianças como cogumelos

Há uma idade crítica na existência feminina em que os nossos parentes e até amigos se questionam o porquê do macho alfa não ter ainda tratado de providenciar o seu legado nesta bela incubadora, que incha, que é a mulher. Julgo ter alcançado essa temida idade visto que todas as minhas amigas começaram a disparar crianças cá para fora, e tomar um café com elas tornou-se um teste aos meus reflexos, senão for suficientemente rápida levo com uma hormona ou um puto na testa. Um dia acordei e, como cogumelos, estavam em todo o lado, algumas julgo que até saltaram a fase dos 9 meses de gestação, pois as criancinhas que ainda só mugem, choram e babam já têm um facebook mais activo que o meu.

Os meus pais e amigos próximos sabem que todo este potencial humano, que sou eu, tem para dar mais uns 50 anos de fertilidade bombástica (isto é o que eu digo a mim mesma), então nem se questionam sobre tal, pois a resposta será um levantar de sobrolho, gargalhada sombria e divagação sobre os feitos nunca executados das suas próprias vidas para os distrair do alvo. Há quem execute uma lista de afazeres antes de padecer, eu tenho a lista de afazeres antes de planear uma criança, nomeadamente já ter educado o macho alfa e ter feito asneiras suficientes (que ocultarei orgulhosamente da criança, excepto quando tiver que dar uma lição de moral na qual qualquer feito meu será embelezado drasticamente). Sejamos realistas, ainda estou demasiado ocupada em viajar, fingir que me esforço em ter abdominais e não ter fungos nas unhas dos pés.

A pièce de résistance é a minha avó, cuja fraca memória a faz focar no meu homem como se fosse a ultima Coca-Cola do deserto e provavelmente a minha única escapatória a uma vida de celibato e mutilação psicológica. Cada vez mais evito reuniões familiares em que as minhas primas vão pastar o seu rebanho de filhos que parecem ganhos em promoções do Jumbo. Admiro muito todas as mães deste mundo (até as minhas primas) mas a título de honrar o seu papel nobre, vou ficar quieta no meu canto mais um tempo. Expectante pelo momento em que o parto deixe de parecer um cenário macabro, confuso e do qual ninguém quer fazer parte até se aperceberem que já lá estão (como uma ressaca em que a alma vos parece sair pelo nariz), retirado de um filme do Tarantino no começo de carreira.

16 comentários:

  1. Quando te sentires preparada para esse momento serás a primeira a sabe-lo e a vê-lo com bons olhos. Se calhar vais passar a querer ir a essas reuniões familiares porque te apetece estar com os miúdos. Se calhar vais deixar a perguntar «porquê agora?» e passar a perguntar «porque não agora?». Tudo depende da vontade, que tem que ser consciente, porque ter um filho não é o mesmo que comprar um mau livro que se pode devolver. Ter um filho é aceitar que a nossa vida vai dar uma volta de 360º e, mesmo assim, achar isso maravilhoso. Se ainda não sentes que é a hora disso, acho que fazes bem em esperar, mesmo que à tua volta pareça que está tudo a engravidar

    Beijinhos*

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  2. Eu tambem admiro imenso as mães deste mundo!! Elas são mulheres cheias de coragem!! Para ti,eu quero desejar uma excelente semana,tudo de bom para ti,aproveita e visita o meu blogue,há por lá imensas novidades desde a tua ultima visita!! Muitos beijinhos,fica com deus e até breve!! http://musiquinhasdajoaninha.blogspot.pt

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  3. Só te digo, ou se é mãe porque se quer ou porque se está preparada pois de outra forma é melhor nem ser! :D Não trocaria o estado actual mas que não é fácil não é mesmo ;)

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  4. Admiro imenso as mães têm uma paciência incrédula :)
    Beijinhos

    http://retromaggie.blogspot.pt/

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  5. Portugal precisa de bebés... Portanto, haja coragem:-))

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  6. Compreendo o que dizes. Comigo é igual, às vezes tenho de me transformar num poço de paciência para estar com as amigas e respectivos filhos. Até quando vou a casa dos meus primos me custa estar lá muito tempo, fico mesmo saturada. Não estou nada preparada para ser mãe nem acho que o deva ser nos próximos tempos. Acho que deve ser uma coisa a fazer quando se sente vontade disso e pronto. Antes não faz sentido.
    beijinho

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  7. o que eu me ri porque apesar de não estar nesta idade (felizmente!) estou na fase em que toda a santa alma me pergunta pelo moço do meu coração (se eles soubessem que não existe nenhum dos dois...) será suposto sermos todas iguais? andarmos de mãos dadas na mesma altura que a vizinha maria lá do bairro e enchermos a pança no exacto momento que a prima adelina o fez?

    o que vale é que nem o tempo é igual em todo o lado!

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  8. Nunca estamos 100% preparados para lidar com as mudanças que a vinda de mais um membro para a família, acarreta, mas a decisão de pôr filhos no mundo, deve ser bem ponderada pelos intervenientes diretos, sem cedências às ambições dinásticas dos mais velhos que ainda acham que tudo se cria e mesa onde comem dois, também comem três. :)

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  9. Bem, já vi que o sentimento que tenho é partlhado por ti.. é bom ver pessoas com o meu pensamento. Beijinhos Roberta :)

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  10. Não podia estar mais de acordo :) é por isso que nunca consigo sair de casa sem levar a minha máquina. Claro que há dias em que não fotografo, mas nunca sei o que me espera, por isso ando sempre prevenida.
    Muito obrigada!

    Beijinhos*

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  11. Opá, ainda bem que por estes lados a minha família só se preocupa com o oposto. E toda a gente ainda me diz "Vê lá o que é que fazes!", "Tem cuidado" e coisas do género. 20 anos, obrigada! Mas compreendo que seja chato estar sempre a ouvir pessoas a "exigirem" que sejamos pais/mães. Até parece que mandam no nosso útero :p

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  12. Eu cá tenho imenso jeito para miudagem... a miudagem dos outros, claro!

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  13. Passei a vida inteira a ouvir o pessoal dizer que eu ainda iria mudar de ideias e que um dia iria querer ser mãe. Felizmente, e finalmente, acho que o pessoal já percebeu isso era puro mito.

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  14. Então agora imagina comigo que nem Macho Alfa em casa tenho!

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