quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

As vacas já não são gordas

Ouvem-se rumores de que os portugueses estão cotados como dos melhores funcionários enquanto emigrados. Estou desejosa de emigrar para ver esta linhagem de portugueses no seu habitat artificial, pois aqui, a maioria assemelha-se a sardos fora de água e a minha paciência está no linear de ir vender os meus colaboradores para a lota. É muito bonito sermos o país do fado (profissionais de lamúrias mil), do futebol (alguém dá um pontapé numa lata e pára tudo para ver) e Fátima (é bom que rezem…), porém onde está a energia e motivação para levar este pais para a frente?

Se no dia de hoje se festejou um feriado em 1932, ai de quem trabalhe, que falta de tacto o desrespeito para com os antepassados. Se há uma manifestação, toca de rompante para a Avenida da Liberdade, onde gritaremos frases que farão políticos lacrimejar e abandonar a vida politica, como, “Queremos Coelho à caçador”, que foi a favorita da última parada da CGTP. Se alguém comentou que é greve, mesmo sem conhecimento do seu catalisador, vá de ficar em casa a lavar peúgas, a necessidade de crescimento económico nacional é mera fantasia. Já para não falar do caso romântico que este povo partilha com os médicos e as suas folhas mágicas que os ilibam de comparecer ao trabalho por períodos paradoxais. Tudo é um motivo plausível para parar nem que seja por um dia. E como compreendo! Quem me dera ter duas folgas seguidas para ficar com a cara alapada à fronha a sufocar em pasmaceira. Contudo, considero-me uma sortuda em ter um trabalho nos dias que correm e vão ter que me esfolar viva para me arrancar de lá.

O pensamento passa por, “se eu for bom naquilo que faço, estou entalado, porque saberão que sou bom naquilo que faço, então vou fingir que sou uma palmeira durante um turno inteiro”. Profissionalismo é sinal da tentadora compensação de sobrecarga horária e trabalhos fora do horário laboral, que nos podem levar a ter destaque no mundo laboral. Falta de profissionalismo é sinal que efectividade não será um termo familiar no vosso vocabulário. Têm que notificar esta nova geração sobre o fim da época das vacas gordas.

Há uma enormidade de gente talentosa em Portugal e custa-me vê-las perder oportunidades em prol de vagas ocupadas por pessoas sem motivação que estão ali pelos seus lindos olhos, a bela da cunha ou a arte de criar uma personalidade durante entrevistas. Trabalhar que nem um burro de carga deixa de ter tanto encanto quando nos apercebemos que estamos a trabalhar para aqueles que foram contratados para trabalhar para nós. 

10 comentários:

  1. Gostei do retrato que acabo de ler. Portugal, país de memórias, feitos e cidadãos que ficaram lá atrás. Importa não apagá-los. Mas, enquanto nos lembramos, devemos ser bons rapazes, precursores de um futuro mais próspero. Vale o que vale.
    A ironia, contudo, é um dos bens que mais aprecio. Continuação!

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  2. os Portugueses são pessoas "bué da esquisitas". é assim que se fala agora, independentemente da idade que a pessoa tenha , logo, isto diz bastante do que vamos tendo à nossa volta.

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  3. O último parágrafo é uma verdade absoluta. E um dos maiores factores de desmotivação um pouco por todo o mercado de trabalho.

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  4. Uma cotação bem merecida pelo que observo. Trabalham para um patronato – quer no setor público quer no privado - que os remunera conforme as suas competências e que os trata com respeito, valorizando-lhes o trabalho.

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  5. Acho que esse último parágrafo define tudo!

    Beijinhos*

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  6. Num país que já foi (é) dos três "F" e um "T" (de tourada), as vacas viraram pilecas e as profissões não pegam a não ser para os "diestros" do costume.

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  7. E por este andar, os bons vão todos embora daqui...só há lugar para os " vendidos"... Sou levada a crer que é assim!

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  8. Recomendo a leitura da crónica do MEC sobre o flagelo que grassa este país: o Culambismo, ou como dizem os americanos: the Asslicking, e que vai ao encontro do que escreveste aqui.

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  9. sabes o que é impressionante? não somos nós que trabalhamos mais, são os outros que trabalham menos que os portugueses? eu estou na Suécia e é incrível como esta gente é leeeenta e estão sempre doentes e tiram horas livres e...já disse lentos??? A imagem que temos deste país é completamente distorcida da realidade...

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  10. Gostei muito desta tua reflexão.. É mesmo verdade.

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