quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Paris

A clássica ave metálica low cost, na qual uma garrafa de água se paga com a alma, levou-me à cidade do amor: Paris. Nunca me havia apercebido que falavam do amor entre uma lixeira e um graffiter vesgo e sem coordenação motora. Este “casamento” duvidoso deu origem a uma população de franceses que se escondem em casa agarrados às suas peças de alta costura, com medo da realidade dos senegaleses rebarbados e da asfixia pelo cheiro a caril nas ruas.

Atravessa-se o Rio Sena para a margem sul e somos arrebatados por diversas obras de arte, inclusive a Torre Eiffel que os franceses odeiam mais do que odeiam o resto da população mundial. Os preços inflacionados levam-nos a crer que estamos perante uma capital europeia capaz de pagar a alguém para limpar as ruas e comprar máscaras de oxigénio para quem viaja de metro, mas não passa de um mero engodo. Porém, é uma cidade repleta de profissões fascinantes, uma destas, repudiada pelos amantes que partilham o seu amor em terras parisienses. Há um indivíduo cujo trabalho é partir os cadeados que os amantes colocam numa das principais pontes sobre o Sena, antes que a ponte caia com o peso (cumprimentos à Carrie Bradshaw se a ponte cair, porque a tradição começou graças ao Sexo e a Cidade). Outra, muito mais cativante segundo o meu ponto de vista deturpado, são os cerca de 30 indivíduos contratados por cada linha de metro em funcionamento, que têm a mesma função que a linha de tinta amarela lambuzada no chão do nosso metro. Portanto, têm como busílis profissional a repetição de:  “Olha aí que senão morres alapado ao metro”.

A magia de Paris foi salva aos meus olhos pela Disneyland que nos transporta para um mundo de fantasia que quando eramos pequenos alegrava os nossos dias. É curioso ver jovens pais a agarrar na cabeça dos seus filhos e chocalharem-nos aos guinchos de êxtase em ver o Simba e o Timon, seguindo-se de ataques de raiva traduzidos em palavras desconexas e olhos esbugalhados a lacrimejar, quando a criança pergunta, “quem é o leão?”. A Disney devia ter como idade mínima os 20 anos de idade, assim reduziam as filas e não criavam dramas familiares. Eu agi o dia inteiro como uma criança (ou macaco esquizofrénico em ácidos) que gritava, saltava e depois de tantos anos a gozar com as bimbas das princesas criei uma necessidade vital em tirar fotos com elas e lhes fazer adeus como se tivesse o pulso sem tendões, empurrando e pontapeando subtilmente crianças até chegar a elas.

Uma nação que leva até si uma amálgama de turistas de todo o mundo em busca de romance, que quando se deparam com uma realidade em que a única beleza e romance se rege pela história de dois ratos cabeçudos, só lhes resta a escapatória de se afogarem em vinho e queijos (não foi em vão a escolha destes dois produtos conhecidos por toldar a memória, como simbolos de França).  Esquecendo-se assim da realidade menos higiénica com que se deparam nesta cidade e criando uma versão alternativa e colorida, a título de não se sentirem tão estúpidos por terem penhorado um rim para fazer uma viagem romântica.

15 comentários:

  1. Sempre gostei de escrever, por isso é que há quatro anos criei o meu primeiro blog. Desde então tenho publicado lá todos os meus textos mais profundos, digamos assim, sejam eles mera imaginação ou baseados em momentos da minha vida. Imaginários ou não, o certo é que todos eles mostram pontos de vista meus e formas de encarar as diversas situações. Ainda mantenho esse blog, mas cada vez me faz mais sentido transportar esses textos para «As gavetas da minha casa encantada» e ir intercalando-os com as crónicas que vou publicando lá.
    Obrigada, de coração, pelo incentivo :)

    «Eu agi o dia inteiro como uma criança (ou macaco esquizofrénico em ácidos) que gritava, saltava e depois de tantos anos a gozar com as bimbas das princesas criei uma necessidade vital em tirar fotos com elas e lhes fazer adeus como se tivesse o pulso sem tendões, empurrando e pontapeando subtilmente crianças até chegar a elas». Adorei o texto todo, até porque a tua escrita, daquilo que tenho acompanhado, é sempre carregada com grande humor. Mas esta parte fez-me rir, precisamente por me fazeres imaginar a situação. Quando nos deixamos envolver nesse mundo de magia acho que nos transformamos por completo e depois fazemos essas figuras. E é ótimo!

    Beijinhos*

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  2. oh não sejas má, já estive em Paris em miúdo, incluindo na Disney, e não me desiludiu, muito pelo contrário. Opiniões :P E os putos têm que perceber que aqueles desenhos não existem mesmo.

    r. isso mesmo.

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  3. Um amigo meu anda há anos a dizer-me que tenho de visitar Paris pois, segundo ele, é a cidade mais incrível que ele alguma vez conheceu. Com este post cheguei à conclusão que ele provavelmente deve ser um sem-abrigo para ter adorado passear no meio de tanto lixo.
    Mas mesmo assim quero TANTO ir só para visitar a Disneyland. Se eu visse lá o Simba ou a Pocahontas morreria fulminada tal a emoção...

    Abraços portugueses,

    Mariana

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  4. É verdade, porém acho que nem sempre essas pessoas têm azar, normalmente safam-se sempre ..
    Bom fim-de-semana *

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  5. Quero que sim, e é mesmo quem espera sempre alcança

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  6. dá quase para respirar o que tu escreves, se é que me faço entender. a tua capacidade descritiva é brilhante! parabéns^^

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  7. Nada. Estou ansiosa para ver o que vem a seguir! :)

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  8. Ui, que Paris tão desencantadora...

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  9. Porque dizes isso? (sobre Lisboa e tal)
    Nunca fui a Paris infelizmente, espero ir um dia para poder dar a minha opiniao :)

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  10. Tenho a leve sensação que Paris te desiludiu, ou estareI enganada? Eu viagens gosto mesmo é de as fazer em alturas de verão... sabem melhor.

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  11. Francófilo assumido, conforta-me saber que existem franceses que não andam de baguette na axila...

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